nada do que eu digo ou escrevo é passível de fazer sentido.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

sweet child o'mine

“O teu nome eu gravei dentro do meu coração”

Verdade, Moony. Você está em mim como nenhuma outra pessoa esteve. Como uma tatuagem nova, inchada, avermelhada, pulsante, dolorida. Mas linda, perfeita, infindável. Há traços de azul e de amarelo, como o nosso elo, o nosso amar. Essas linhas descrevem uma borboleta quando é noite, uma flor quando é dia e um coração só enquanto eu ainda puder tê-lo. E eu não sei até quando esse enquanto vai durar.
Você entenderia se estive aqui? Ora, é claro que sim. Você entendeu da última vez, lembra? Eu estava apaixonada por Vandir, um motoqueiro de 18 anos que morava em São Paulo. Velho, e as lágrimas que derramei? Nossa, muito patético. Não, não era compreensível, okay? Não, Moony, não adianta tentar me convencer como tentou daquela vez. Quinze anos não é desculpa — ressuscitando o argumento. Eu ficava manhãs e manhãs sentada, suspirando e desenhando histórias e, quando estas me sufocavam, você salvava o meu dia. A minha vida. Você tem noção disso, Moony?
E quando eu resolvi namorar o Lucas Mariano? Cara, você foi uma das primeiras a apoiar sem questionar nada. Lógico, Prongs e Lily também ficaram eufóricas quando viram os melhores amigos juntos depois daquela viagem. E foi uma viagem PERFEITA, não é? Foi a primeira da escola que você fez conosco! Velho, eu lembro direitinho que eu tive de dormir com Prongs na cama de casal, Lily e você no beliche e certo ventilador na minha cara — eu não tenho culpa de dormir pesado, viu?! —, e no dia seguinte tivemos de ouvir piadinhas — sim, Moony, não sou adepta ao casal James/Sirius, não adianta. E a viagem de volta? Cara, você não parava de virar pra trás e rir, toda fofinha, de Lucas. Man, eu ficava tão sem graça. Então, depois de dois meses, ele me traiu. É, foda.
Moony, você segurou minha mão, certo? Eu ficava chorando o tempo todo, falava em sumir e nunca mais gostar de alguém. Só o seu sorriso iluminava essas horas de demência. Sim, seu sorriso e o RPG. Nossa, eu lembro que você ficava morrendo de ciúmes dos meus amigos online, dizendo que eles não podiam ser reais, que eu devia era parar de me envolver com gente estranha e distante. Então, outra surpresa da internet: você tinha um fake! É, foi A novidade. Pelo menos você conseguiu entender os amigos que eu tinha. E até os meninos, se me lembro bem, porque sua fake tinha namorado, HAHA — patético.


“Lembro de você, amor, toda vez que passo aqui”

Fui ver seu Orkut hoje. Sim, eu voltei com o meu, pela terceira vez! É, sou esquisita. Ah, não comece, Moony! Eu tinha de te ver! Como você queria que eu me restabelecesse sem te visitar?! Olhe, sua loba safada, não comece! É sério! Não, eu não estava procurando motivos para chorar, beleza?! Errado, não estava! O quê?! Mentira! Eu não choro toda vez que vou vê-la! Sim, fico sensível, mas é normal. Oh, cale a boca, Moony! Eu só não quero te esquecer! NÃO QUERO E NEM POSSO! Porque você é a amiga mais fiel que me restou. A que está comigo não importa as circunstâncias, nem a morte, nem qualquer outra barreira. Você é a minha garota, entende? Está no pedestal que nenhuma outra estará. Moony, eu te amo, de verdade.
A sua voz debochada continua a me cutucar no meio da aula de inglês, a sua risada abafada pela mão ainda perturba minha felicidade, seus cabelos cacheados continuam embaraçados aos meus, os seus abraços ainda me sustentam quando penso em desistir de tudo, os olhos continuam presos em mim... a sua essência não me abandonou. Moony, eu ainda amo você, entende? Quero dizer, eu continuo sua amiga, certo? Não sei, estou com medo de estar te perdendo mais uma vez.
“Então me abraça forte”


“Sei que não há mais ninguém que possa me preencher”

Moony, eu não estou fazendo sentido nenhum hoje. Estou triste demais para tentar ser coesa, sabe? Man, eu tenho certeza de que meu coração está em frangalhos, e por razões bestas. Bem, o fim do terceiro ano está custando um pouco mais do que eu esperava, não tenho forças para afastar o medo de ficar sozinha ou a insegurança de não conseguir uma universidade. Claro, questões de amores platônicos também espantam meus sonhos bons, mas isso é tão ínfimo perante o vazio que me assola. Não estou brincando, Moony, eu jamais senti tamanha solidão e fraqueza. Tem cura para isso, amiga? “Vem me fazer feliz”

“Eu te quero para sempre, oh, meu bem”

Amiga, eu ainda não contei como Harry fica com Ginny, contei? Ou como Teddy Lupin nasce ou como Remus morre? Bom, é fácil explicar o motivo disso: J. K. não especificou nos livros. HAHA, eu sei, Moony. Revolta sim. É, o Sirius não volta e o seu Lupin morre como o último Maroto vivo (?). Aham, nem fala! Como J. K. foi cruel com o Remus. Ser o último dos amigos, vê-los morrer sem poder fazer nada a respeito, passar por todo o sofrimento repetidas vezes. Eu não quero passar por isso de novo. “Mas deixe as luzes acesas”
“Nem foi tempo perdido”, eu sei. Eu jamais diria algo assim. Todas as vezes que pude dizer “eu te amo”, o fiz, todas as vezes que foi necessário ou não abraçar, assim o fiz, todas as risadas e sucos de maracujá não foram em vão. E não, não estou enrolando para contar que estou apaixonada de novo por alguém impossível. Totalmente impossível, aliás. MOONY! Olhe isso! Pare de arrancar as verdades desse jeito, meu Deus!
É, eu sei. Você consegue ver as lágrimas caindo agora? Não são apenas por ele, só pra constar. É, verdade. Eu já devia ter secado tudo, mas se as lágrimas são as únicas lembranças nossas, que caiam. NÃO SOU DRAMÁTICA, SUA LOBA SARNENTA! Que coisa, mulher! COMO ASSIM DEIXAR A INSEGURANÇA DE LADO E PERGUNTAR?! Você sabe bem que não posso fazer isso. Sim, você sabe, Moony. Deixe de ser cabeça-dura! Velho, eu não devia ter te procurado. Huh, sua teimosa! Guardar as coisas não me machuca! Man, é isso. Eu não falo mais contigo.
“Me diz mais uma vez que já estamos distantes de tudo”


É, é mentira. Eu jamais suportaria não ouvir sua voz, encarar seus olhos ou não ver o seu sorriso. Eu jamais suportaria não sentir o seu calor. Você é tudo o que restou de mim e de nós, Moony. E sim, não repare na bagunça desse surto. Estou fazendo isso só para liberar, como muitas vezes me aconselharam. “Se fosse só sentir saudade, mas tem sempre algo mais” “É uma dor que dói o peito” porque “os bons morrem cedo”, certo, Moony?

sábado, 12 de dezembro de 2009

totally dispensable

Vou tentar ser bem clara, mas nas condições piscológicas e sentimentais (afora físicas) que estou... bem, não posso garantir muita coisa desse desabafo cafona.
Enfim, sabe aquela vontade LOUCA de se apaixonar? Creio estar nessa fase maluca da vida. Não tem outra explicação plausível para minha vontade de te ver online. Simplesmente não há. Velho, falando sério, quando eu vou aprender?
Aprender a não gostar de pessoas impossíveis, de pessoas ausentes, pessoas que não me dão valor, que não me suportam e só sabem fingir, que são indiferentes e outras coisas mais (ou menos, no caso do Mr. Indiferente). Parece que as bofetadas que já levei da vida não deixaram nada de concreto para me proteger de novas tolices e torturas. De fato, mesmo lendo milhões, bilhões, trilhões ou zilhões de vezes as conversas com Mr. Impossível e Ausente e Não-Existente, não consigo esquecer da verdade imutável. ELE NÃO É A PESSOA CERTA PARA MIM.
Mr. Indiferente... sinceramente, preciso comentar? Fedendo ou não, ele tem um sorriso lindo e fixo que não é para mim. NÃO É. Então, qual a razão disso tudo? Desse desabafo, desse sentimento nauseante, dessa vontade infindável?
Sabe, eu nem sei porque estou te contando tudo isso. Você não vai ler. Não vai entender. Não vai REPARAR. Porque ninguém realmente se importa com os sentimentos alheios, porque não diz respeito a quem lê e está de fora da situação toda. Parece um circo, um espetáculo. De início, privativo. Depois o público cresce e surge as personagens do monólogo moribundo.
A degradação do coração, a devastação dos olhos turvos de tantas lágrimas, a boca seca e à espera. de um milagre, de um indício, de um talvez, de uma ínfima palavra de três letras e única sílaba. mas nem o antônimo dessa aparece. Meus ajudantes de palco estão ocupados consigo mesmos, meu público não me nota, minha voz está guardada no âmago do desespero de não tocar o que quero. E como lhe quero.
É uma paixão, coisa à toa, passageira. Quantas vezes já não me enganei com isso? Parece que não importa a contagem do tempo; sempre volto ao mesmo sentimento de esperança que tentei suprimir entre piadas e risos. Entre linhas e sons. Entre bocas e túmulos. Então, como se meus esforços não tivessem existido, a paixão retorna com mesma ou (para minha infelicidade) maior intensidade. E o erro é cometido duas, três, vinte e seis, cento e seis vezes. Todas as vezes que Mr. Indiferente deixar. Todas as vezes que Mr. Impossível e Ausente e Não-Existente voltar pela marca da saudade, pois sua presença nunca foi real.
E bem, onde entra você? Onde cabe os seus cachinhos? A sua voz? O seu "Mr. Neverlanding"? Puf, nem eu sei. Há tantos outros cachos nessa história, tantas outras madeixas escuras e vozes que me faziam arrepiar, ou palavras que me faziam suspirar. Por que o seu "você não tinha saído, Tananã?" persiste em meus ouvidos? Por que eu quero TANTO te ver online? Por que eu quero TE VER? Por que eu SONHEI com isso?
Pare de invadir meus pensamentos assim! Pare de invadir o espaço que SEMPRE sobra entre todos os outros! Pare de me fazer sentir esperança! EU NÃO QUERO MAIS ISSO! NÃO QUERO MAIS ESPERANÇA! NÃO QUERO MAIS ME DESAPONTAR! É TÃO DIFÍCIL DE ENTENDER?! Velho, eu não suporto mais ser pisoteada dessa maneira. Já estou numa época complicadíssima de minha vida, mais isso e eu SURTO. De vez. De verdade. Pra valer. E não, não venha me dizer que esperança é a última que deve morrer. Eu apostei no meu ex-namorado e olha no que deu! VIROU EX! DE NOVO! Porque eu sou sempre a complicada, a errada, a infatil, a estressada, a desinteressada, a forçada, a esculhambada da história toda. quando não faço papel de vilã, claro.
O mais falta acontecer, hein? Eu GOSTAR de você? Porque não vou negar que quedinha eu estou sentindo. Estou contando os segundos pra você aparecer. Estou TORCENDO pra você aparecer. Porque eu QUERO falar com você! Eu QUERO sentir isso tudo de novo! Eu QUERO me apaixonar por você! Eu QUERO sentir você! Mas isso não é certo. E fim.
Só não apareça, está bem? Só não me faça te querer, está bem? Só não me faça confessar isso, está bem? Só não me faça... te pedir isso. Isso de estar comigo. Isso de estar ao meu lado. Isso de me aceitar. Isso de esquecer a distância. Isso de me querer também.
É. Eu não aprendo.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Toujours Pur

(Cala a boca, Bárbara)

Da pólvora construo, mudo, furto, surto.
Do insulto - não o tenho, me abstenho, te contento.
Das pétalas perdidas o calvo brilha - doente, gente, ardida.
De mim, Bárbara a boca cala - ai, ais.

O porte, a sorte, a força, ao cálice.
A alma, a relva, a Bárbara, a morte.
De ti, de mim, de nós - os nós, os pós.
De tu, de mim - "per de mi" a força.

Como vai tua mãe, pai, irmão, amante?
Passado, fadado, julgado - a ferro, fogo e frio.
Como vai tua mãe, pai, irmão, amante?
Abra-me como a um livro, trate-me como a um filho.
Como vai tua mãe, pai, irmão, amante?
Choca-me a parede pichada, manchada.
Como vai tua mãe, pai, irmão, amante?
Do nada, de nada, para tudo - o amanhã no futuro.
Abraça-os por mim, diga-lhes as boas novas.
Da flor do jasmim, lançado ao chão, venço o can-can-canhão?

Abro-lhe os braços,
Arrancam-me a voz,
Turvo-lhe os olhos,
Consumo-lhe as idéias - velhas,
Por fim, venço o refrão
- Bárbara a boca cala, cala a boca, Bárbara - traia.

sábado, 26 de setembro de 2009

Whatever, man

Andei lendo muito ultimamente, absorta nas diversas realidades que me arrancavam da frieza social que assola qualquer país capitalista no mundo pós-moderno. Não só livros de Geografia, História, Português, Biologia, Filosofia e Sociologia (fundamentais para todo o desenvolvimento de meu caráter e diversão), mas também clássicos literários como A Divina Comédia, Hamlet, Drácula e Inocência, além de o décimo livro da coleção O Diário da Princesa, O Monstro, Ensaio sobre a cegueira e (de volta as raízes) O Diário de Anne Frank. De todos, os que mais compreenderam todo o meu desespero e, por este motivo, incentivaram a escrita desta nota cafona, foram os dois últimos.
Ensaio, de início, pareceu-me tedioso por não apresentar quaisquer dados (cidade, país, data, nomes, idades etc) significantes para meu cérebro guardar como acontecia com outras histórias. Então, a desumanização das personagens e os diversos símbolos sutis tomaram-me. Foi tão real quanto um corte, tão letal quanto a ambição, tão próprio quanto os sentimentos que me acometeram. Culpa, desilusão... não, são coisas triviais – logo passam quando se compra o último mangá de D. Gray-man. Talvez revolta, mas isso também é fugaz porque ligamos a televisão e nos deparamos com os novos investimentos da bolsa de valores ou porque o gato do vizinho morreu ou porque engordou cinco miligramas ou porque tem mais o que fazer do que ficar pensando sobre um livro de cenas fortes e enredo complexo. E, por essas diversas explicações inúteis, na última página, desejei que nenhum tivesse voltado a ver ou que, de fato, a brancura acontecesse.
Céus, são tantas as desculpas de nossas mentes ocas! A maioria esmagadora massacrada por uma ideologia que, de tão bem imposta ou simplória ou persistente ou o que for, passa a ser a única verdade. Não digo isso como se este desabafo fosse um daqueles discursos comunistas (se é que algum dia eu vou poder me comparar aos intelectuais), recheados de consumismo. Falo por experiência de uma adolescente de dezoito anos que, a cada vez que sonha em ser uma revolucionária, continua sob a proteção familiar e suas frases desanimadoras (apesar de verídicas até certo ponto), como “como você espera ajudar alguém sem ter o que comer?” ou “vai viver de quê? De brisa? De idéias?” ou ainda “já implantaram o socialismo, não deu certo. Agora vê se cresce e vai arrumar seu quarto.” Percebe quantas frases ditas soam capitalistas e, de certa forma, deixam-nos coagidos a seguirem-nas? Diga-me, isso lá é correto? CADÊ A PORCARIA DA CEGUEIRA NESSAS HORAS?! CADÊ A ANTIGA MORAL DO FIM DOS ANOS 60 E OS 70?! CADÊ A FLOR? Porque eu só vejo o canhão camuflado e os guerreiros entorpecidos pelo “amanhã próspero”.
Quanto a Anne Frank, não tenho tanto clichê a dizer. Vi o filme hoje (reprise de quinta-feira) e reli os trechos que mais simpatizei, para não demonstrar tanto sentimentalismo (e não engloba apenas os românticos, diga-se de passagem). Os últimos relatos (e imagens, se for contar o filme de 1959) dela, em especial do dia 1º de agosto de 1944 (três dias antes de ser descoberta no Anexo Secreto), pois denota esperança, a qual não costumava abandoná-la, e normalidade, como o embate da Anne alegre e a Anne profunda que os jovens (como eu) têm. Ou seja, apesar de toda a miséria, privação, perseguição e outros substantivos utilizados como adjetivos para o Holocausto, ela mostra a versatilidade humana, a transformação. Em situações extremas.
Oh, pareço uma jornalista sensacionalista, banalizando todos os feitos corriqueiros de um povo exaurido. Mas a questão é esta; estamos sempre fazendo coisas pequenas que, gradativamente, tornam-se maiores, ou movimentos sociais sem uma base teórica bem definida (não que seja culpa nossa, na verdade). De qualquer forma, foi apenas um desabafo de uma pré-vestibulanda às vésperas do seu primeiro ENEM (interprete como quiser).
“Auf wiederhören.”

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Happy B-day, Solomon!

So, it may look a little ridiculous to come here and say ‘happy birthday, best wishes, etc’ without actually knowing you – I’d even say it’s a fanatic girl’s thing. But I think you deserve to be reminded in your day – which, for me and all the other people who cheer for you, that’s everyday – and more than that, deserve all the affection that you’ve conquered for being so conscious. After all, who else would give their time in a hospital, visiting children, writing poems and give their best to get what they wish? Okay, there are more people like you, daring and willing to do anything that’s possible to conquer what they want and change the world – because, let’s be honest, what you do is precious. I feel that, more than ever, you’re magnificent, and now you’re twenty-five, capable. You’re more mature, became a man without disconnecting yourself from the purity of family, you’ve grown up – oh, and to say that, there’s no need for ten years of friendship, ‘cause your simple acts speak for themselves. I believe in you, I believe you’ll conquer, from this day on, all that’s yours. And, look, I know that’s a lot – worthily. A little redundant, I know. I can’t develop the words very well ‘because I feel embarrassed – please, don’t mind. Anyway, I wish all the most sincere cliches of happiness, love, a long life and prosperity for you. Twenty-five years are not for everyone, mister Nerd.

Mandado no dia 18.06.2009 ao ator Solomon Trimble via Facebook. Apenas como recordação de um surto enorme.

Paul

O lusco-fusco tornou-se breu em questão de minutos. A figura, antes meio iluminada ao bruxuleante luar à janela, revirou-se na cama soltando resmungos ininteligíveis. Respirava tão profundamente que se assemelhava ao ronco, seu peitoral másculo descoberto e a pele – à luz – acobreada, suada. Não era por causa do sonho que tinha que transpirava, pois não sonhava, e sim do calor.
- Faz-se geada hoje, tamanha a queda de temperatura. – a televisão da sala alertou. Revirou-se novamente, produzindo sons guturais; os lençóis começavam a se encharcar de suor.
Três horas. Três horas e um minuto. Três horas e dois minutos. Três horas e vinte e cinco minutos. Incontáveis as voltas que dera na cama; posicionou-se voltado para baixo, para cima, contorceu-se para caber de lado, pendeu pernas e braços e cabeça. Quente, cada vez mais. Insuportável. O escuro persistiu mesmo com as pálpebras abertas, então se ergueu apalpando a escuridão, encontrando o interruptor perto da porta. Assim que se fez claro, o castanho de sua íris acostumou-se lentamente, ainda tendo o globo avermelhado de sono extremo.
Seus pais, Andromeda e Kenny, superprotetores e amáveis alegam que a sonolência era normal na idade do filho, assim como seu crescimento acelerado e fortificação dos músculos. Não veriam, claro, a anormalidade genética evidente – e era a obrigação de Kenny cuidar disso, como o homem da casa. Sua criança foi tão mimada por ser única, que o pai cegou-se para os sintomas; um menino tão bem educado e atendido em todos seus caprichos não teria problemas como aquele.
Ele dirigiu-se à gaveta, tirando de lá o caderno mais manuseado ultimamente junto de uma caneta. Acomodou-se no chão, apoiando no criado-mudo para escrever. Folheou rabugento de cansaço, encontrando uma página em branco; à tinta:


Já é a vigésima noite que acordo com tais dores no corpo. A febre parece não ceder, apenas quando dia – durante a tarde começa os habituais tremeliques. Acho que essa doença é terminal. Céus, pergunto-me se farei falta.
Sam se distanciou de mim há meses, e não vou me humilhar por sua amizade só porque estou morrendo. Mas não posso negar que suas palhaçadas irônicas e, conseqüentemente, inteligentes fazem falta. Jared, rodeado de pretendentes por causa de seu charme natural e seu ar pseudo-intelectual, está mais indiferente com o mundo do que nunca e sumiu. Ou seja, não tenho amigos, pois os melhores me abandonam nesse momento difícil de partida.
Acho que é assim por causa da minha ausência de talentos. Eu não sou tão inteligente – notas abaixo da média – e nem bonito, embora me garanta com meu cabelo escuro (a voar pelo vento) – gay. Simpatia também não é meu forte, o Jacob ficou com tudo para ele nesse quesito, assim como Quil e Seth. Embry... eu nem sei, afinal, Sam não gosta de andar com o suposto irmão e eu sempre fui leal aos amigos. O que eu sou? O que tenho de mais? Pelo visto, a doença.
(AAAAAAAAAAAAAH, QUE BOSTA, PORRA, MERDA, CARALHO) – estou (puto) irritado.
Quanta injustiça. Todos têm algo de especial, menos eu! E ainda estou morrendo!
A freqüência dos meus ataques de fúria aumentaram, iguais aos sintomas da doença. Antes já reclamavam que eu não sabia brincar, que apelava facilmente. Hoje eu não consigo nem prever como está meu humor, tamanha a variação. (BUCE) Inspirar, expirar. Inspirar. Expirar. Inspirar. Expirar. (CACETE) Eu não consigo controlar a raiva desse jeito, só piora porque me sinto idiota. Cadê minha mãe? Ela devia estar aqui, cuidando de seu filho moribundo. Se estiver dormindo, a acordo. Eu preciso de atenção (PORRA) !
Quer saber? Para o inferno tudo isso. Vou acordar minha mãe para buscar água.
Paul


Guardou os materiais na gaveta, caminhando para o interruptor e apagando a luz. Colocou a cabeça para fora da porta do quarto, espiando o curto corredor da casa. A televisão da sala, onde seu pai provavelmente adormecera com a comida acima da barriga volumosa, continuava ligada. Entrou para o quarto mais uma vez, deitando-se na cama ensopada. O nojo não o invadiu, como normalmente faria, mas a fúria, que tremeu todo o seu corpo. Ficou convulsivo, e ele não entendia a origem da raiva; já dormira num leito molhado antes, quando criança.
Dois uivos foram ouvidos ao longe; o primeiro era preocupado enquanto o segundo autoritário e ameno. Quando um terceiro uivo surgiu, a cama quebrou-se como a janela pela qual o rapaz escapava. O pai sobressaltou-se, similar à esposa, e ambos correram para o quarto vazio. Pedaços do short vermelho do pijama do filho se espalhavam entre a madeira e as plumas. Foram para a janela, mas o breu da madrugada não colaborou. A lua ia. E na direção que ia, o prateado lobo corria, balançando a cabeça em confusão. Outros dois uniram-se a ele, mas aquilo que falavam não eram palavras ditas. O prateado, refugiando-se na floresta escura, tomou sua verdadeira cor acinzentada. Congratulou-se.
Primeira transformação de Paul de Twilight - escrito para Gui S. Palavras entre parenteses foram riscadas por Paul ao escrever.

Nalahamed Trimble

“A música bate-estaca soa na mesma batida que o meu coração. Posso sentir o baixo batendo dentro do meu peito – tum tum. É difícil enxergar à minha volta com tantos corpos se contorcendo, ainda mais com a névoa de gelo seco e as luzes bruxuleantes do teto do clube, que criam uma atmosfera um tanto hostil.
Mas sei que ele está aqui. Posso senti-lo.”

Era fato como Meg Cabot sempre me compreendeu, escrevendo seus magníficos romances engraçados, suas personagens iguais a mim, os gostos musicais e literários e os homens perfeitos que todas as adolescentes normais ficariam loucas para ter. Porém, ela foi muito além dessa vez. Troque a música agitada por uma funérea, os corpos de movimentos epiléticos por gemidos chorosos e adicione um vazio enorme. Vazio tal que eu jamais conseguiria preencher, como um grande e profundo buraco na Terra, que a atravessa e destrói. Porque era exatamente assim que me sentia, dentro de um poço sem fundo, caindo, caindo, caindo, caindo... Quando a queda cessaria? O chão seria mortal? Teria eu a sorte de segui-lo?
O mais estranho de tudo era a negação. Afinal, não podia ser real – aquele corpo encaixotado, lacrado e, com certeza, deformado, não podia ser dele. Olhe, eu realmente tentava enfiar na minha cabeça que jamais teria o abraço, o calor, o beijo sem malícia, o sorriso de escárnio favorito, as tiradas inteligentes, as conversas sobre livros, a guitarra e o violão a soar pela casa, as explosões por causa do trabalho. Maldito trabalho, aliás. Foi por culpa de uma reunião nos Estados Unidos que o perdi. Para sempre. NÃO. Não era real. Tudo não passava de um pesadelo infame, o qual eu fui magoada mortalmente. Nunca sabemos separar o verdadeiro do sonho, claro. Aquela angústia passaria em breve, assim que eu acordasse. Ele mesmo estaria do meu lado, secando as lágrimas quentes que jorrariam dos meus olhos azuis. Era por isso, também, que eu não chorava agora, porque tinha consciência de que irreal fato não passaria disso.
“Querida, não quer nem se sentar?”, oh, pobre Sarabi. Não tinha razão para me sentar se, na verdade, eu estava deitada em minha cama, dormindo profundamente. Sorri para seu rosto manchado de rímel; como sou má por sonhar com uma pessoa tão boa chorando com tamanho desespero. E isso porque ainda não conseguia focalizar mamãe. Ela estaria arrasada, céus. Tal visão só pioraria o pesadelo e papai teria mais dificuldade para me acalmar. De qualquer forma, Sarabi soltou mais lágrimas por me ver sorrir, abraçando-me com força para me consolar. Mas, claro, não tinha razão para isso – eu já tinha entendido tudo. Por que não acordava logo?
“Sinto muito, meu amor. Você sabe disso, certo? Sua mãe e você podem contar comigo e com Mufasa. Ele mesmo está encarregado de cuidar do seu patrimônio.”, oh, coitada! Ela era apenas mais uma figura confusa na minha funesta imaginação. Doía-me vê-la tão arrasada. Outra mão, bem mais pesada e maior, acariciou minha cabeça. Aquilo já era demais.
“Não é hora para pensarmos em coisas materiais, pequenina.”, meu coração pulsou comprimido no peito. Não era o ruivo alto, de porte atlético e de olhar pesaroso que me chamava assim. Outro pulso ainda mais dolorido. Que diabos, Nala! Acorde!
“Mufasa, rápido! Dandara desmaiou!”, o quê?! Onde ela estava? Mamãe! Ela precisava de mim – eu teria de olhá-la. NÃO! Algo me dizia, no fundo de minha mente, que eu não devia encará-la, que o vazio e o buraco apenas inflamariam. Mais que depressa, Mufasa foi ajudar minha mãe em meu lugar, graças à minha covardia, deixando-me com Sarabi.
“Mamãe...”, aquela outra voz familiar me arrepiou. O que aquele menino estava fazendo no meu sonho, afinal?! Eu nunca gostei dele; um metido, inconveniente, tagarela, mesquinho e peste. Em suma, Simba. Até o som de taquara rachada dele me irritava. Virei-me ameaçadora para ele, porque agora que eu sonhava, podia demonstrar minha sincera emoção em vê-lo: náuseas.
“Simba, vá lá para fora. Nala não quer brincar.”, Sarabi aconselhou e eu esperei que seu filho ouvisse, mas não foi o que aconteceu. Ele tocou meu rosto, fazendo beiço e imitou uma voz de bebê ao pronunciar:
“Oh, a Nala, você precisa se divertir? Eu estou aqui.”, metido! Insuportável! Não brinque assim com meus sentimentos, nem em sonho!
“Simba, não me faça chamar seu pai.”, cortou a mãe dele, soltando-me por completo e, assim, me libertando. Aquele abraço não estava adiantando, pois o vazio não me abandonava. Caminhei os passos restantes até Simba e mostrei-lhe a língua. Voltei aos quatro anos de idade, céus. Eu tinha quatorze anos, qual era o meu problema? Simba apenas deu aquele seu sorriso torto que me deixava desconsertada. SAIA DO MEU SONHO! SAI, SAI, SAI! Já era bastante ruim sem ter de lidar com a frustração de tê-lo por perto. E ele se dizia meu amigo.
“Ah, não seja tão mau-humorada. Só porque seu pai morreu...”, calou-se. Pelo menos, foi o que meus ouvidos fizeram – tudo emudeceu. Sem ruído, sem visão, sem olfato, sem paladar. Sem vida. Era o fim. Eu queria vir à superfície, chegar ao ápice do sonho sem mais delongas, acabar com o pânico melancólico. Por que minha mente estava sendo tão vil? A boca rosada e cheia de Sim continuava a se movimentar, mostrando os dentes e a saliva enquanto abria e fechava em cada sílaba não captada por meu cérebro – quem ligava? O que importava se o meu pai estivesse morto? O meu melhor amigo? Tudo bem, eu tinha Simba como meu segundo melhor amigo, mas e daí? Ele era completamente diferente de papai, sendo um esnobe, ridículo... Ora, quem eu queria enganar. Aquela revolta com meu melhor amigo – vivo, argh – não me levaria a lugar algum. Por que diabos eu não voltava em mim?
“Nala? Está me ouvindo?”, ele quis saber, me tocando o rosto novamente. Finalmente, após a introspecção, encarei seus olhos amendoados. Era ruivo como o pai, com traços finos de europeu, quase como eu. Engraçado como o sol africano não fez efeito quando nos mudamos para cá, aos nove anos. Lembro-me de como nossos pais logo ficaram amigos, juntando-nos nas ceias de natalinas. Meu pai.
“NALA?!”, que inferno, garoto! Não grite! Todos vão nos olhar assim. Se bem que, na verdade, já estavam me olhando há tempos, desde o começo desse pesadelo, desde o telefonema, desde o noticiário, desde... meu pai! Não agüentei. Era como se fosse real, sério. Como se eu apenas me enganasse sobre o sonho para amenizar a dor. Só que eu não podia estar fazendo isso, porque não aconteceu! Não podia ter acontecido! Como eu ficaria nisso tudo?! Senti o peso das lágrimas em meu rosto, aquecendo-o devido ao seu grande número. Eram rápidas, porém, não eficazes. A mão de Simba tentava, inutilmente, secá-las.
“Tudo bem, olha... vamos desbravar o território?”, ele me chamava de pequenina. O papai, quer dizer. Mufasa queria apenas me tranqüilizar, fingir que estava tudo sob controle. E não estava. Não mesmo. “Por favor, Nala. Eu preciso de você. Quem mais poderia aturar meu ego?”, ora, Simba. Ele se achava mesmo o dono do universo, o grande leão, o rei das selvas. Não passava de um bebê, assim como eu. Éramos despreparados e vulneráveis. Nem nossos pais, figuras imponentes, não deixavam de ser humanos. Mortais. Que outra escolha eu tinha?
“Okay, eu vou com você.”, aquela voz rouca e fria era a minha? Não parecia em nada. Ele tomou minha mão e caminhamos para fora do local do velório.
Havia tantos túmulos à nossa volta, cada qual mais monumental que o outro, afinal, era a ala ‘rica’ do cemitério. Pensei em como o mundo capitalista era estratificado até quando a dor era envolvida. Simba pegou um pedaço de árvore caído, partindo-o e entregando a mim a parte maior. Olhei para o meu galho e em seguida para ele.
“Por hoje, eu deixo você ser a exploradora principal.”, disse ao empinar o nariz e, depois, se curvar para que eu tomasse a dianteira. Revirei os olhos, caminhando na frente e cutucando com a madeira em todas as pequenas rochas, as folhas secas pelo calor e alguns bichos mortos. Ficamos sem nos falar por vários minutos, concentrados em espantar idéias incômodas. Aquela sensação de sonho persistia; me apegava a ela com todas as forças do meu espírito. Mais de uma vez, tentei principiar um assunto qualquer, entretanto, minha rouquidão e falta de genuína vontade, me impediam. Engraçado como ele respeitava o meu silêncio, e isso fez com que eu me virasse para trás diversas vezes, certificando-me de que permanecia ao meu lado.
“Esperem!” olhamo-nos, sem saber quem poderia estar nos chamando, e viramo-nos. Alto, negro e elegante, embora afobado de tanto correr. Zazul, o faz-tudo de Mufasa. Sempre o achei um grande homem, e não só por ter dois metros de altura – o que o tornava um tanto desengonçado –, mas pela bondade disfarçada pela ironia peculiar. O que ele mais gostava de fazer, ou era obrigado, era nos seguir por aí. Controlava-nos, ou assim tentava, porque sempre conseguíamos escapar. Certa vez, Simba e eu o convencemos a dar uma volta pela savana (quando visitamos o Norte) e, enquanto atormentávamos sua mente com musicas, atrevimentos e caretas pelas costas, nós o deixamos no meio dos animais – um rinoceronte, para ser mais exata – e corremos para perto de um lugar escuro.
“Dandara está te esperando para...”, deu um pigarro, “... enterrá-lo.”, minha respiração falhou. Espiei Simba por cima da minha explosão de lágrimas, incapaz de segurar a pergunta por muito mais tempo.
“Então... não é só mais um pesadelo?”, não sei o que aconteceu em seguida. Tudo não passou de um borrão.
Minha Nala, do grupo Disney de Real Role Playing Game.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

O amor (por você)

Não é como se a Terra não tivesse gravidade,
Como se tudo, de súbito, girasse ao seu redor,
Como se minha vida fosse justificada pela sua.
Tampouco como se tudo não importasse.

Também não é feito algodão, doce, macio,
Não é feito linha eterna, ligada em mim e em você,
Menos ainda como se não pudesse respirar,
Como se não pudesse me controlar.

Coração acelerado, conectado?
Vidas mínimas transformadas em odes?
Convenções mundanas insatisfatórias?
Falta de palavras para descrever?

O cheiro, a pele, a temperatura.
O arrepio, o suspiro, o pensar.
É fantasia, surreal, não-materialista.
Tudo adornado de negações e incertezas.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Japão

O Japão era uma sociedade agrária, que em relação às potências européias era uma semicolônia, devido ao seu período feudal não ter tantas inovações tecnológicas. Em 1868 a 1940, ocorreu o primeiro milagre econômico, chamado de era Meiji, e nessa época a nação passou a ser considerada um dos países mais ricos e industrializados do mundo graças ao seu grande avanço em 72 anos, uma transição consideravelmente rápida de país agrário para uma potência.
Considerado um país fechado e atrasado, de poucos recursos naturais e terra pouco agricultável por causa do tamanho – um conjunto de pequenas ilhas –, não foi alvo das potências européias no Imperialismo, o que contribuiu para o desenvolvimento de sua autonomia econômica. O desenvolvimento ocorreu na formação de uma classe burguesa que se uniu ao imperador autoritário, e essa classe advinha das famílias importantes no xogunato – feudalismo japonês –, agora zaibatsus. O governo investia em educação para a boa formação dos cidadãos japoneses, com o objetivo de criar mão-de-obra qualificada e infra-estruturas essenciais, como ferrovias e portos e começou a se relacionar com outros países, principiando uma abertura comercial que desenvolveria ainda mais a economia.
Porém, o país persistia na ausência de matéria-prima e fontes de energia, além de seu mercado consumidor interno estar saturado de produtos. Assim, outra medida política foi a expansão da zona de influência, a conquista de novos territórios no período do Imperialismo, conquistando a Coréia e a Ilha de Taiwan da China, e, após dez anos, as ilhas Sacalinas ao norte do país. Essas conquistas aproximaram-no da Alemanha nazista e da Itália fascista durante a Segunda Guerra Mundial, época que conseguiu a Manchúria e parte da Indochina e outras ilhas remanescentes, o que trouxe rivalidade com o império chinês e os Estados Unidos que também tinha interesse na região dominada.
Em 1941 o Japão ataca a base militar de Pearl Harbor e por conseqüência disso os EUA entram na 2ª Guerra Mundial. Desse período até 1945 – fim da guerra com as bombas atômicas jogadas no território japonês das cidades de Hiroshima e Nagasaki - milhares de japoneses foram mortos e cidades foram reduzidas a escombros; a economia entrou em colapso, acarretando o fim da Era Meiji. Tropas norte-americanas ocuparam o país arrasado e, durante a Guerra Fria, tentou garantir a não-recuperação militar e econômica nipônica.
Porém, a preocupação estadunidense com a expansão socialista pela Ásia por causa da Revolução Chinesa, fez com que o país financiasse na reconstrução do Japão, sem ameaçar o poder norte-americano. Acordos e mudanças de governo foram feitas, assim como na população e no exército – número controlado. Logo, os japoneses decidiram livrar-se da dependência política, garantindo a liberdade do governo para controlar o câmbio e os investimentos estrangeiros, e, em 1953, foi criado um programa de reconstrução industrial. Nesse programa, o iene foi desvalorizado e o governo deu subsídios para dar estímulo às exportações, privilegiou os grupos econômicos nacionais ao limitar investimentos de fora, e reorganização dos zaibatsus em novos conglomerados financeiros, industriais e comerciais. Isso tudo visando atender o mercado externo, permitiu o segundo milagre econômico japonês até 1970 com a implantação do Toyotismo na linha de produção para concorrer com empresas norte-americanas e européias – just-in-time, obsolescência rápida, relação horizontal entre fábricas.
A industria japonesa também deixou de ser têxtil, focalizando nos setores de bens de produção, como maquinário e matéria-prima para outras indústrias, e de bens de consumo duráveis, no caso do carro. Acumularam-se, então, superávits, tendo capital para investir ainda mais em mão-de-obra e abrindo filiais, principalmente, nos Tigres Asiáticos e, mais tarde, outras transnacionais por todo o mundo. Assim, formou-se o Bloco do Pacífico, que são países influenciados pela economia japonesa, envolvendo até a Nova Zelândia e a Austrália, sendo hoje o Japão o segundo país mais rico do globo.
Feito com a colaboração de Nana.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Fahrenheit 9/11


É fato que a globalização torna-se cada dia mais intensa e que, dentro deste contexto, os Estados Unidos são o país que mais exerce influência em outros e o que mais se expandiu nas últimas décadas. A partir disso, podemos citar uma característica marcante da segunda fase do expansionismo norte-americano: o terrorismo. E, quanto a isso, é inaceitável que não citemos o atentado terrorista às torres do World Trade Center e ao Pentágono em 11 de Setembro de 2001. Sem dúvida, um fato de extrema importância para a formação histórica mundial, não só porque o país é uma potência em todos os sentidos, mas também pelas incoerências surgidas após as investigações do incidente e das pessoas envolvidas – sejam elas suspeitas, culpadas ou possíveis vítimas – e é em cima disso que Michael Moore produziu seu documentário: Fahrenheit 9/11.
Segundo o filme, existem fatos que tornam duvidosa a vitória de George W. Bush contra Al Gore. As pesquisas de diversos canais indicavam este último como o vencedor. Porém, após uma derrota inacreditável na Flórida, o que aconteceu foi o contrário. Além disso, nos meses anteriores ao atentado, o presidente Bush foi visto, por diversas vezes, realizando atividades de lazer em suas “férias”, quando supostamente deveria estar trabalhando para fortalecer a segurança do país o qual acabara de ganhar o direito de governar.
Após o atentado, o filme mostra que as medidas tomadas pelo governo são um tanto quanto discutíveis. A primeira delas foi evacuar todos os familiares de Osama Bin Laden do país, ainda que eles fossem a ponte mais próxima entre o FBI e seu principal suspeito. Outra questão discutida é a relação entre a família do presidente – bem como de pessoas próximas a ela –, com membros de famílias importantes da Arábia Saudita, incluindo a de Osama. Aprofundando ainda mais as investigações acerca desse jogo de interesses, Moore nos conta, em seu documentário, qual pode ter sido o real motivo para as invasões do Afeganistão em 2001 e do Iraque em 2003: proteger os interesses das indústrias petrolíferas estadunidenses. Segundo ele, o objetivo ao invadir o Afeganistão era propiciar a construção de um oleoduto. Quanto ao Iraque, vale lembrar também, que o país não oferecia uma ameaça concreta aos Estados Unidos e que as armas de destruição em massa, que este último acusou o primeiro de possuir, nunca foram encontradas.
O enfoque passa a ser, então, a guerra no Iraque. As mortes de milhares de civis – dentre eles crianças, idosos e mulheres – é justificada pelo objetivo “principal” de capturar os líderes da Al Qaeda. Por outro lado, o governo iniciou uma intensa campanha de incentivo aos jovens para que se alistassem – e assim, fossem mandados imediatamente para a guerra, já que contrariamente ao imaginado, os norte-americanos receberam resistências. No início, dizia-se que as famílias receberiam auxílio, assim como os filhos ganhariam um salário. Contudo, após algum tempo de conflito, as promessas de ajudas foram esquecidas e as família têm como recompensa a morte de seus filhos.
Este não é o primeiro documentário feito para criticar a postura do governo dos Estados Unidos da América e de Bush, principalmente, frente ao atentado de 11 de setembro. Muitos foram feitos para mostrar, especificamente, evidências de que o ataque foi uma fraude criada pelo Estado. Será este o primeiro presidente a planejar um ataque contra o próprio povo? E a população? Por quanto tempo se manterá apática? “Faça alguma coisa.” – última frase de Fahrenheit 9/11.
Por Isabela Martins Pompeu.

Vôo 93

A primeira imagem do filme é, de certa forma, do bom uniforme norte-americano, o emblema dos Estados Unidos sendo exaltado pelo co-piloto quando este prende o adorno ao uniforme. O patriotismo não é evidenciado apenas nessa parte do filme, mas também quando os seqüestrados se unem e transmitem a idéia de que os norte-americanos são insuperáveis quando juntos, além de ser um povo condescendente à dor do outro.
Assim, o co-piloto dirige-se ao trabalho normalmente, passando o foco aos tripulantes da aeronave, aos tickets de viagem. Enfatiza-se, de início, os de aparência mulçumana – morenos, cabelos crespos e olha penetrante, como se escondesse algo por mais que seus modos fossem naturais. Logo, os demais passageiros, todos estadunidenses são mostrados singularmente, como se fossem os principais da história.
Enfim, o avião é tomado pelos árabes – que falam a língua própria deles – que carregavam explosivos e facas. Eles tentam não alarmar ninguém até chegarem à cabine do piloto – um deles estudara, superficialmente, como se pilotar um avião. Porém, com a aeronave sob controle, ameaçam e esfaqueiam um tripulante.
O restante, apavorado com o perigo, liga para seus familiares – um pai de três garotinhas liga para a esposa, pedindo que avisasse órgãos competentes de que o vôo fora seqüestrado – de uma altura considerável. Um desses que faz ligação, entra logo em contato com uma base da aeronáutica norte-americana, confirmando o boato de terem mais aviões seqüestrados durante o dia – onze de setembro – e que, dois deles, acertaram as Torres Gêmeas, provocando sua queda. Outras histórias angustiantes dos passageiros, como um marido que não atende as ligações da esposa nem quando esta já está ciente do provável destino, e uma filha que pressiona o psicológico da mãe, dizendo que não voltaria a vê-la, são mostradas para sensibilizar o telespectador e, assim, não permitir que as falhas do filme sejam evidentes – como o fato de se poder comunicar com o exterior da aeronave por celular a vários metros de altura, os seqüestradores permitirem tranqüilamente burburinhos entre as vítimas e, logo, um motim, além da falta de fiscalização do aeroporto quanto ao embarque de materiais explosivos ainda no início do filme, afora o quase descaso da aeronáutica para com as naves capturadas por terroristas.
Ao fim, mantendo-se informados dos planos terroristas – já haviam acertado o Pentágono e as Torres –, alguns homens unem-se contra os árabes, preocupados em brigar entre si – outra crítica sutil; os terroristas não têm organização, ademais, não passam de suicidas e fanáticos, anti-Estados Unidos. Embora consigam entrar na cabine ocupada pelo único mulçumano capaz de pilotar, este perde o controle da aeronave – já demonstrara falta de habilidade antes, dando guinadas no ar – que cai. Entretanto, nenhum destroço que, em situações normais, seriam encontrados e confirmados serem do avião despedaçado, foi mostrado. Havia apenas uma cratera gigantesca no provável local da colisão. Isso, fisicamente, seria impossível a menos que a temperatura fosse muito elevada – dado não revelado no filme. Em suma, não há evidências críveis.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Influência marxista em Ensaio sobre a cegueira


Analisando a cegueira do livro sob a perspectiva de Marx, na medida em que ela seja encarada como conseqüência do avanço desenfreado do capitalismo, o qual faz com que os homens se desvalorizem, massifiquem, tornando-os mercadorias; ela pode, assim, ser caracterizada como estranhamento (alienação). Segundo Marx, quanto mais os produtos são valorizados, em uma mesma proporção, os seres-humanos são desvalorizados.
Considerando a alienação como um processo de desumanização, pode-se dizer que ela está presente em sociedades divididas em hierarquias e dominações por meio de poder – rede produtiva que conta com mecanismos de força aceitos pela sociedade. Os cidadãos, por sua vez, só aceitam essas imposições se as considerarem verdades, como por exemplo, as leis. E ambos os fatores estão presentes nas sociedades capitalistas.
No livro, o poder pode ser concretizado no momento em que os personagens são colocados no manicômio, onde têm que ser submetidos às ordens de um alto-falante para regular seus comportamentos.

“Nesse instante ouviu-se uma voz forte e seca, de alguém, pelo tom, habituado a dar ordens. Vinha de um altifalante fixado por cima da porta por onde tinham entrado. A palavra Atenção foi pronunciada três vezes, depois a voz começou [...]”
(SARAMAGO, 1995:49)

A união das verdades e do poder causa nos personagens um certo tipo de cegueira social, já que não têm possibilidades de contestar os acontecimentos do mundo tanto interno – o manicômio no qual eles estão vivendo – quanto o externo. De tal forma, a obra faz uma crítica à falta de atuação política dos seres-humanos em relação às leis e aos mecanismos de poder. Por causa disso, o que antes era tido como regras e ética no mundo humano se torna totalmente sem valor, fazendo com que os personagens sejam animalizados, uma vez que o instinto de sobrevivência se sobrepõe a qualquer valor. “Desconfiados os cegos ficavam tensos, de pescoço estendido como se farejassem algo [...]” (SARAMAGO, 1995:49); “[...] eram trazidos em rebanho e esbarravam uns nos outros [...]” (SARAMAGO, 1995:72); “[...] se movimentavam de gatas, de cara rente ao chão como suínos e os soldados os viam como imbecis que se moviam diante dos seus olhos como caranguejos coxos, agitando as pinças trôpegas à procura da perna que lhes faltava [...]” (SARAMAGO, 1995:105).
Com essa perda de identidade humana, acontecem fatos que no mundo capitalista são tidos incomuns, como a não-distinção de classe social, sendo que todos são abrigados no mesmo lugar às mesmas condições de inferioridade – durante certo tempo, até os vilões se posicionarem ‘no poder’. E ao não dar nenhuma referência espaço-temporal na obra, a crítica de José Saramago pode estar sendo feita a qualquer sociedade na qual impera as contradições do capitalismo avançado ou não.
Com a perda de visão, não é possível criar impressões sobre alguma pessoa sem antes conversar com ela e isso faz com que pessoas diferentes, pertencentes a diversas classes sociais, se unam. Outra passagem notória à junção de pessoas distintas é aquela na qual um personagem racista encontra como confidente um negro, ou mesmo o rapaz que conversa pacificamente com uma moça nua ao seu lado, já que não pode vê-la.
Tampouco se pode criar um modo de produção, que seria determinante na organização dessa sociedade cega, pois a infra-estrutura atua de forma direta na superestrutura. No manicômio, jogadas ao acaso, as pessoas perderam a noção de capitalismo – não se esquecendo do dinheiro, mas das aparências, que vêm ser essenciais para a separação de classes. O rico, a prostituta, a criança estrábica, não seguem mais a cartilha discriminatória de suas antigas vidas, sendo forçados a modificar completamente seus valores. Nisso, o desenvolvimento e o momento de lucidez; “[...] a luta de classes e a trajetória básica da história humana são explicados pelo desenvolvimento das forças produtivas [...]” (BOTTOMORE, 1988:262).
Até o pequeno grupo que, em troca de alimentos, obrigavam orgias e as outras câmaras, que roubavam a comida para seu benefício, são novas tentativas de governo dentro da comunidade do livro, embora não tão distante do autoritarismo e pressão do antigo sistema; “[...] “as condições sob as quais forças produtivas bem definidas podem ser aplicadas são as condições do domínio de uma classe definida da sociedade” [...]” (BOTTOMORE, 1988:262). Porém, são brechas para a modificação da superestrutura, pois entram em contradição aos interesses comuns dos menos favorecidos; o conflito origina novas relações de produção – o movimento da História.

“[...] a estrutura econômica da sociedade, constituída de suas relações de produção, é a verdadeira base da sociedade: é o alicerce “sobre qual se ergue a superestrutura jurídica e política e ao qual correspondem formas definidas de consciência social”. Por outro lado, as relações de produção da sociedade “correspondem a uma determinada fase do desenvolvimento das suas forças produtivas materiais.” Dessa maneira, “o modo de produção da vida material condiciona o processo de vida social, política e espiritual em geral”. [...]”
(BOTTOMORE, 1988:260)

Enfim, o ambiente deteriorado do manicômio, a cegueira, a exclusão – dos cegos – perante as leis da sociedade capitalista e negação da humanidade, contribuem para o amadurecimento da esfera social, a superação do homem sobre as condições impostas a ele, as modificações. Isso porque, em suma, depende das escolhas dos indivíduos.

“[...] O materialismo histórico concebe uma hierarquia geral entre os domínios da vida social, mas tais relações devem ser analisadas não apenas em termos da sociedade em geral, mas também termos de cada tipo específico de formação socioeconômica. [...]”
(BOTTOMORE, 1988:260)
“[...] Se existem tendências inelutáveis na história, elas resultam das escolhas dos indivíduos, e não se afirmam a despeito de tais escolhas. [...]”
(BOTTOMORE, 1988:263)

Por isso, somente unidos e sãos que os cegos os deixam de ser, porque sobreviveram à adversidade e mudaram a superestrutura de sua esfera, prontos para voltarem ao capitalismo como cidadãos cientes e, por conseguinte, críticos.
Feito com a colaboração de Luís Carlos.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

O Pianista

O filme, passado na Segunda Guerra Mundial, mostra a conduta alemã com os judeus – estes, no filme, de origem polonesa. Há as restrições – como não poder mais usar praças públicas e até mesmo calçadas – o emblema da estrela de Davi, que marcaria os judeus, a divisão dos bairros dos cristãos e judeus, que tinham péssimas condições de saneamento, além de pouca comida e investimento, mesmo para os comerciantes mais influentes. Assim, afora divididos por religião, também se organizavam por classes sociais, os mais pobres residindo os guetos e tendo de roubar e matar para sobreviver. Logo precisaram reunir uma força policial judia para controlar o caos instalado no bairro – murado para que não houvesse contato com o exterior – o que colaborou para o controle do exército alemão.
Enquanto a Polônia esteve sob o domínio da Alemanha, sofrendo ataques constantes e ainda tendo o povo dividido, a guerra, de fato, fica declarada por causa dessa invasão no país – retratado no filme quando a família do pianista diz que precisavam sair de casa por ser nova zona da guerra entre poloneses e alemães. Inglaterra e França tornaram-se os Aliados, bem como os Estados Unidos – que realmente entraram no conflito após o ataque à Pearl Harbor –, enquanto o Eixo era formado por Itália, Alemanha e Japão.
A história não mostra os combates e invasões – como quando Hitler invadiu a França, sendo que uma parte foi dominada diretamente e a outra colaborou com os nazistas ou quando a Áustria foi anexada ao território alemão, na chamada Anschluss (união) – focando na hostilidade para com os judeus. Porém, não abordou sobre os campos de concentração, para os quais a maioria esmagadora da população foi levada e forçada a trabalhar, sendo cobaia de experiências ainda viva e morta nas câmeras de gás, fuzilada ou morrendo de doenças por causa das condições de vida.
Faltou comentar também sobre o Pacto de não agressão soviético e nazista, quebrado pelo último – a primeira perda do exército de Hitler, a batalha Stalingrado – que acarretou no contra-ataque de Stalin pelo leste Europeu, cercando o território conquistado pela Alemanha – os países Aliados vinham pelo oeste. Esta parte do contra-ataque apareceu no filme quando o soldado nazista que, ao final, ajuda o pianista, afirma que os tiros eram dos soviéticos do outro lado do rio, e que chegariam em breve para desocupar os nazistas da Polônia. Embora o final do filme apenas mostre a desocupação, a guerra só viria a acabar com a tomada de Berlim pelos Aliados – União Soviética foi a primeira a adentrar a cidade –, o suicídio de Hitler e o ataque norte-americano à Nagasaki e Hiroshima com as bombas atômicas. Além disso, o Tribunal de Nuremberg – que deveria ser compreendido na cena em que os soldados nazistas estão presos pelos soldados soviéticos – tratou de julgar os crimes contra a humanidade, menos das bombas atômicas.
Feito com a colaboração de Isabela P., Vanessa A. e Gabriela P.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Sem Saber


Sinto o peito apertado,
Acelerado e desperto.

Sonhei que ouvia
Entre as árvores da relva
O uivo de um lobo aflito;
Pensei que tivesse enlouquecido.

Sinto o peito apertado,
Acelerado e desperto.

Não sei se quero desvendar,
A nada pode levar um pressentimento,
Mas sinto que algo deixo passar,
Ao timbre daquele apelo.

Sinto o peito apertado,
Acelerado e desperto.

Talvez seja algo grande,
Forte e incessante;
Talvez seja um aviso,
Daqueles que não queremos.

Sinto o peito apertado,
Acelerado e desperto.

Talvez nada seja, não sei
- Ouvi o uivo de novo
Outra vez, não sei.

Novamente

Por tudo, seria tão errado amar?
Essa sensação não me abandona,
Por mais dolorida a realidade seja,
A esperança continua acesa.

Não compreendo porque o fim logo não chega,
Afinal, a desesperança me abala,
Mesmo que forçada pela razão,
E esta nos vê separados, como somos.

Eu queria mais nada cogitar,
Apagar-te de mim por inteiro,
Porque fútil desejo infantil não se torna.

Você lá, eu cá, nós em nenhum lugar.
Por mais dura, a verdade é esta e nada resta,
Apenas a maldita esperança de te ver



Novamente

segunda-feira, 30 de março de 2009

Da sua amante

Em pensamento transmitir-lhe-ei meu sentimento
Já que de nada usurfruo para falar-lhe
E disso, lágrimas derradeiras derramei
Mas desse rio pesaroso não tratarei

Talvez o mero lembrar de tuas feições,
Há tantas guardadas, jamais ao vivo - sinto,
Possa em mim despertar o que estava dormindo
A esperança da reescrita em linhas vivas

De forma a prolongar a prosa rara,
Afinal, amar à distância não me cansa,
Em teus cabelos longos, castanhos como a íris
Perder-me-ia a cheirar, tamanha a necessidade de te guardar

As mãos, grandes e ásperas - presumo,
Dos dedos fortes o bastante para tocar o acorde,
Deixar-te-ia repousar em meu ombro
Acalentando-me da frieza da tua ausência.

De todo, enfim, não penses que és apenas imagem,
Embora aos meus olhos e coração somente isso tenho,
O meu ser, no teu, é mais que imaginar,
É um esperar incessante, latejante,

Da sua amante

sexta-feira, 27 de março de 2009

Independência mexicana

Avenida tal, horário a se pensar, México.


Não entendo, sinceramente. Durante toda a minha infância – não muito distante se você for pensar, afinal tenho meros quinze anos -, costumava observar as frustrações de papai sobre a escrivaninha de mogno, disposta junto de dez cadeiras acolchoadas na biblioteca, onde ele se reunia com os amigos fazendeiros. Atualmente, nenhum desses amigos nos visita mais; estão jogados nas calçadas, bêbados ou, quem sabe, pedindo uma ajuda de custo. E isso porque representavam a grande maioria conservadora.
Pelo que eu me lembre, a família Del Afonsiera possuía vastos hectares de plantação de milho mais ao norte. Entretanto, sua plantation perdeu o prestígio por causa da guerra civil – cuja não presenciei seu início. Quando nasci, o México já estava livre dos espanhóis –.
Essa guerra, entre conservadores monocultores e liberais, provocou a falência de muitos parentes meus, além dos ataques estrangeiros que insistiam em tentar ocupar nossas terras, implantando seu mercado e cultura. Para você ter uma idéia, diário, meu tio Alberto fora forçado a vender suas plantações de feijão para os norte-americanos para conseguir sanar dívidas bancárias. E, que eu saiba, o banco estava em situação precária, já que não se tinha tanto investimento como no passado.
Obviamente, papai culpa os ‘baderneiros’ pelo problema social instalado no país, assim como a instabilidade econômica. Na Igreja, que sempre freqüentamos, ele chegou a amaldiçoar alguns deles que se postavam à porta, com cartazes pedindo o afastamento do governo conservador repressor, alegando que voltaríamos aos tempos de colonização, cujos ricos eram minoria crioulla. Até parece que eles fariam algo diferente. Três Poderes; Legislativo, Executivo e Judiciário? A monarquia que papai prega, pelo menos, garante a ordem nessa sociedade rebelde, pois é um governo coeso, forte, impenetrável, capaz de impor respeito e autoridade. Bem, isso segundo o discurso infindável que papai dá, nessa praça precária.
Hm... estou vendo um rebuliço logo á frente; algumas pessoas com faixas negras, berrando alguma coisa ininteligível... estão vindo para cá... será...?

--

Casa qualquer, horário improvável, México.


Era de se esperar que eu não voltasse a pegar neste caderno velho, de capa negra aveludada. Mas, quando o vi jogado em meio aos meus pertences juvenis, não pude resistir tocá-lo. Continua incompleto, desde a morte de papai, naquele fatídico encontro entre conservadores e liberais em praça pública. Eu devia ter me acostumado às brigas, aos tumultos, porém, vê-lo apedrejado e agir com naturalidade, já era pedir demais de uma mera adolescente de quinze anos.
Bem, de qualquer forma, os conflitos diretos e indiretos continuam, passados vinte anos. Ou seja, vejo essa batalha durante trinta e cinco anos seguidos. Uma vida inteira, sendo que a perdi depois da morte do papai. Mamãe adoeceu e ninguém em nossa família tinha dinheiro suficiente para tratá-la, então ela morreu, deixando-me com Juan, Carmen e Pedro, todos mais novos e despreparados para a vida de miséria – nossa fazenda estava com certos problemas financeiros. A morte dos meus pais foi o ápice da nossa queda -. Mas, tudo bem, sobrevivemos.
Ainda nessa semana, quando me mudei para o sul do país, vislumbrei ataques anticlericalistas; alguns cidadãos atacando, roubando, uma Igreja. Rebeldes, sem sombra de dúvida. Ligados ao Estado Liberal positivista que ameaça reger o meu México. Não sei o que papai diria sobre essa situação precária.
Bom, tenho de me recolher. Meu marido chegou.

--

Qualquer canto de uma casa antiga, horário incerto, México.


Não acredito que encontrei isso no meio dos pertences de minha falecida avó. Ela era tão nova quando começou a escrever aqui, e retomou – durante algum tempo – seu trabalho depois de tantos anos sofridos de lutas. Acredito que se passaram cinqüenta anos de guerras civis, presenciadas por ela. Pelo menos em seus últimos meses de vida, viu o novo México, de educação laica – completamente desligada da Igreja – e poderes centrados em um estado liberalista, influenciado por estrangeiros. A vitória dos liberais. Não que eu seja contra, afinal, aderi muitos idéias deles, principalmente a descentralização do poder que era desigual – não que as condições de vida tenham mudado bruscamente de maneira igualitária -. De qualquer modo, a instabilidade política já não causa disputas sanguinárias.
Fui ontem à missa matinal e quase desmaiei ao ver que nela haviam caixas empilhadas. Dizem que se transformará em uma biblioteca pública, o que é aceitável, vendo o nível escolar dessa população sobrevivente dos tempos de precariedade. Embora seja uma afronta ao poder da Igreja, antes tão privilegiada. Fiquei abismada com a audácia dos governantes, sendo que alguns conservadores ainda espreitam por aí, procurando se estabelecer no poder, mesmo que seja difícil. A população consente com os liberais em muitos aspectos. Não que o nível de pobreza tenha abaixado, é a estabilidade que este novo governo passa. Pelo menos não temos ninguém sendo apedrejado por falar em praças, como meu bisavô.
Cinqüenta anos, um longo período. Ainda bem que acabou.

RPG, o jogo

Perfeito para aqueles que amam o teatro e a capacidade de imaginar-se em cena


O Role-playing game (famoso RPG, traduzido como "jogo de interpretação") é um tipo de jogo em que os jogadores assumem os papeis de personagens e criam narrativas envolventes e paralelas ao nosso mundo, ou até dele próprio, mas com uma vista mais imaginária. O progresso desse se dá de acordo com um sistema de regras predeterminado, dentro das quais os jogadores podem improvisar livremente. As escolhas dos jogadores determinam a direção que o jogo irá tomar, assim, cada participante tem o direito de mover, fazer a ação de seu personagem e alterar a ação de um outro integrante.
Os RPGs são costumam ser mais
sociais do que competitivos, ao contrário do que pensam algumas pessoas que não gostam do jogo, pois une seus paticipantes em um único time, ou vários, para que se crie uma aventura para o grupo de 4 até 6 integrantes. Além dessa integração, raramente tem ganhadores ou perdedores, o que colabora a evitar brigas; isso o torna diferente de outros jogos de tabuleiro, de cartas, esportes, ou qualquer outro tipo de jogo. Como romances ou filmes, RPGs agradam porque eles alimentam a imaginação, sem limitar o comportamento do jogador a um enredo específico.
Este é um jogo pouco convencional, similar a um
teatro; os atores (jogadores) recebem seu "script", o conjunto de suas ações, gestos e falas, com tudo o que suas personagens devem saber e são. Você interpreta uma personagem de ficção, seguindo o enredo definido em um roteiro, como falado acima. É também um jogo de estratégia, por outro lado, pois você está seguindo um conjunto de regras onde, para vencer, você precisa vencer desafios impostos por seus adversários (cada partida é única, já que é impossível prever seus movimentos durante o jogo).
Existem dois tipos básicos de jogadores muito bem definidos: O primeiro tipo é o jogador personagem, normalmente chamado apenas de "jogador", PC (Player Character, também conhecido como ‘char’) ou PJ (Personagem do Jogador). Esse jogador é aquele quem cria um
personagem fictício seguindo as regras do sistema escolhido por seu grupo, e controlará esse mesmo personagem pelas aventuras do jogo (em alguns casos, jogadores podem controlar mais de um personagem simultaneamente, embora seja incomum).
O segundo tipo de jogador é o narrador,
mestre ou GM (Game Master). Será ele quem criará a história e julgará as ações de todos os personagens do jogo. O narrador normalmente não possui um personagem próprio, mas controla todos os personagens não-jogadores da aventura (os que seriam os coadjuvantes da peça). Enquanto o jogador tem uma relação próxima com um ator de teatro, o narrador seria o diretor, quem define o cenário, figurantes, ambiente. Por isso, é aquele que deve conhecer as regras mais profundamente, e ser o mais experiente do grupo, normalmente seguindo um sistema de regras pré-determinado que o ajudará com os eventuais problemas e dúvidas que venham a surgir. Apesar do narrador seguir as regras de um sistema, ele pode quebrá-las, ignorá-las ou mudá-las em prol do andamento da partida, baseando-se para isso no seu bom senso.
Assim, por possuir várias facetas, regras e liberdade, o RPG deixou de ser exclusivamente um jogo de tabuleiro, passando para o mundo virtual que possibilita, juntamente da imaginação do player (jogador), maior aproveitamento do enredo jogado. Há nota de vários sites, templates, comunidades do orkut e, até mesmo, perfis de orkut que caracterizam jogos e as personagens. No caso dos sites próprios para os jogos, e comunidades criadas por grupos de amigos, há uma regra que prevalece para todos os integrantes; ou seja, há um mestre. Já os perfis têm a regra feita pelo jogador que, para melhor interação entre os chars e os próprios players, devem ser seguidas, bem como a história criada para a personagem. Logo, o RPG torna-se um dos mais conhecidos, mesmo que incomum, e querido (nem tanto por alguns) por jogadores de todo o mundo.