O lusco-fusco tornou-se breu em questão de minutos. A figura, antes meio iluminada ao bruxuleante luar à janela, revirou-se na cama soltando resmungos ininteligíveis. Respirava tão profundamente que se assemelhava ao ronco, seu peitoral másculo descoberto e a pele – à luz – acobreada, suada. Não era por causa do sonho que tinha que transpirava, pois não sonhava, e sim do calor.
- Faz-se geada hoje, tamanha a queda de temperatura. – a televisão da sala alertou. Revirou-se novamente, produzindo sons guturais; os lençóis começavam a se encharcar de suor.
Três horas. Três horas e um minuto. Três horas e dois minutos. Três horas e vinte e cinco minutos. Incontáveis as voltas que dera na cama; posicionou-se voltado para baixo, para cima, contorceu-se para caber de lado, pendeu pernas e braços e cabeça. Quente, cada vez mais. Insuportável. O escuro persistiu mesmo com as pálpebras abertas, então se ergueu apalpando a escuridão, encontrando o interruptor perto da porta. Assim que se fez claro, o castanho de sua íris acostumou-se lentamente, ainda tendo o globo avermelhado de sono extremo.
Seus pais, Andromeda e Kenny, superprotetores e amáveis alegam que a sonolência era normal na idade do filho, assim como seu crescimento acelerado e fortificação dos músculos. Não veriam, claro, a anormalidade genética evidente – e era a obrigação de Kenny cuidar disso, como o homem da casa. Sua criança foi tão mimada por ser única, que o pai cegou-se para os sintomas; um menino tão bem educado e atendido em todos seus caprichos não teria problemas como aquele.
Ele dirigiu-se à gaveta, tirando de lá o caderno mais manuseado ultimamente junto de uma caneta. Acomodou-se no chão, apoiando no criado-mudo para escrever. Folheou rabugento de cansaço, encontrando uma página em branco; à tinta:
Já é a vigésima noite que acordo com tais dores no corpo. A febre parece não ceder, apenas quando dia – durante a tarde começa os habituais tremeliques. Acho que essa doença é terminal. Céus, pergunto-me se farei falta.
Sam se distanciou de mim há meses, e não vou me humilhar por sua amizade só porque estou morrendo. Mas não posso negar que suas palhaçadas irônicas e, conseqüentemente, inteligentes fazem falta. Jared, rodeado de pretendentes por causa de seu charme natural e seu ar pseudo-intelectual, está mais indiferente com o mundo do que nunca e sumiu. Ou seja, não tenho amigos, pois os melhores me abandonam nesse momento difícil de partida.
Acho que é assim por causa da minha ausência de talentos. Eu não sou tão inteligente – notas abaixo da média – e nem bonito, embora me garanta com meu cabelo escuro (a voar pelo vento) – gay. Simpatia também não é meu forte, o Jacob ficou com tudo para ele nesse quesito, assim como Quil e Seth. Embry... eu nem sei, afinal, Sam não gosta de andar com o suposto irmão e eu sempre fui leal aos amigos. O que eu sou? O que tenho de mais? Pelo visto, a doença.
(AAAAAAAAAAAAAH, QUE BOSTA, PORRA, MERDA, CARALHO) – estou (puto) irritado.
Quanta injustiça. Todos têm algo de especial, menos eu! E ainda estou morrendo!
A freqüência dos meus ataques de fúria aumentaram, iguais aos sintomas da doença. Antes já reclamavam que eu não sabia brincar, que apelava facilmente. Hoje eu não consigo nem prever como está meu humor, tamanha a variação. (BUCE) Inspirar, expirar. Inspirar. Expirar. Inspirar. Expirar. (CACETE) Eu não consigo controlar a raiva desse jeito, só piora porque me sinto idiota. Cadê minha mãe? Ela devia estar aqui, cuidando de seu filho moribundo. Se estiver dormindo, a acordo. Eu preciso de atenção (PORRA) !
Quer saber? Para o inferno tudo isso. Vou acordar minha mãe para buscar água.
Paul
Guardou os materiais na gaveta, caminhando para o interruptor e apagando a luz. Colocou a cabeça para fora da porta do quarto, espiando o curto corredor da casa. A televisão da sala, onde seu pai provavelmente adormecera com a comida acima da barriga volumosa, continuava ligada. Entrou para o quarto mais uma vez, deitando-se na cama ensopada. O nojo não o invadiu, como normalmente faria, mas a fúria, que tremeu todo o seu corpo. Ficou convulsivo, e ele não entendia a origem da raiva; já dormira num leito molhado antes, quando criança.
Dois uivos foram ouvidos ao longe; o primeiro era preocupado enquanto o segundo autoritário e ameno. Quando um terceiro uivo surgiu, a cama quebrou-se como a janela pela qual o rapaz escapava. O pai sobressaltou-se, similar à esposa, e ambos correram para o quarto vazio. Pedaços do short vermelho do pijama do filho se espalhavam entre a madeira e as plumas. Foram para a janela, mas o breu da madrugada não colaborou. A lua ia. E na direção que ia, o prateado lobo corria, balançando a cabeça em confusão. Outros dois uniram-se a ele, mas aquilo que falavam não eram palavras ditas. O prateado, refugiando-se na floresta escura, tomou sua verdadeira cor acinzentada. Congratulou-se.
- Faz-se geada hoje, tamanha a queda de temperatura. – a televisão da sala alertou. Revirou-se novamente, produzindo sons guturais; os lençóis começavam a se encharcar de suor.
Três horas. Três horas e um minuto. Três horas e dois minutos. Três horas e vinte e cinco minutos. Incontáveis as voltas que dera na cama; posicionou-se voltado para baixo, para cima, contorceu-se para caber de lado, pendeu pernas e braços e cabeça. Quente, cada vez mais. Insuportável. O escuro persistiu mesmo com as pálpebras abertas, então se ergueu apalpando a escuridão, encontrando o interruptor perto da porta. Assim que se fez claro, o castanho de sua íris acostumou-se lentamente, ainda tendo o globo avermelhado de sono extremo.
Seus pais, Andromeda e Kenny, superprotetores e amáveis alegam que a sonolência era normal na idade do filho, assim como seu crescimento acelerado e fortificação dos músculos. Não veriam, claro, a anormalidade genética evidente – e era a obrigação de Kenny cuidar disso, como o homem da casa. Sua criança foi tão mimada por ser única, que o pai cegou-se para os sintomas; um menino tão bem educado e atendido em todos seus caprichos não teria problemas como aquele.
Ele dirigiu-se à gaveta, tirando de lá o caderno mais manuseado ultimamente junto de uma caneta. Acomodou-se no chão, apoiando no criado-mudo para escrever. Folheou rabugento de cansaço, encontrando uma página em branco; à tinta:
Já é a vigésima noite que acordo com tais dores no corpo. A febre parece não ceder, apenas quando dia – durante a tarde começa os habituais tremeliques. Acho que essa doença é terminal. Céus, pergunto-me se farei falta.
Sam se distanciou de mim há meses, e não vou me humilhar por sua amizade só porque estou morrendo. Mas não posso negar que suas palhaçadas irônicas e, conseqüentemente, inteligentes fazem falta. Jared, rodeado de pretendentes por causa de seu charme natural e seu ar pseudo-intelectual, está mais indiferente com o mundo do que nunca e sumiu. Ou seja, não tenho amigos, pois os melhores me abandonam nesse momento difícil de partida.
Acho que é assim por causa da minha ausência de talentos. Eu não sou tão inteligente – notas abaixo da média – e nem bonito, embora me garanta com meu cabelo escuro (a voar pelo vento) – gay. Simpatia também não é meu forte, o Jacob ficou com tudo para ele nesse quesito, assim como Quil e Seth. Embry... eu nem sei, afinal, Sam não gosta de andar com o suposto irmão e eu sempre fui leal aos amigos. O que eu sou? O que tenho de mais? Pelo visto, a doença.
(AAAAAAAAAAAAAH, QUE BOSTA, PORRA, MERDA, CARALHO) – estou (puto) irritado.
Quanta injustiça. Todos têm algo de especial, menos eu! E ainda estou morrendo!
A freqüência dos meus ataques de fúria aumentaram, iguais aos sintomas da doença. Antes já reclamavam que eu não sabia brincar, que apelava facilmente. Hoje eu não consigo nem prever como está meu humor, tamanha a variação. (BUCE) Inspirar, expirar. Inspirar. Expirar. Inspirar. Expirar. (CACETE) Eu não consigo controlar a raiva desse jeito, só piora porque me sinto idiota. Cadê minha mãe? Ela devia estar aqui, cuidando de seu filho moribundo. Se estiver dormindo, a acordo. Eu preciso de atenção (PORRA) !
Quer saber? Para o inferno tudo isso. Vou acordar minha mãe para buscar água.
Paul
Guardou os materiais na gaveta, caminhando para o interruptor e apagando a luz. Colocou a cabeça para fora da porta do quarto, espiando o curto corredor da casa. A televisão da sala, onde seu pai provavelmente adormecera com a comida acima da barriga volumosa, continuava ligada. Entrou para o quarto mais uma vez, deitando-se na cama ensopada. O nojo não o invadiu, como normalmente faria, mas a fúria, que tremeu todo o seu corpo. Ficou convulsivo, e ele não entendia a origem da raiva; já dormira num leito molhado antes, quando criança.
Dois uivos foram ouvidos ao longe; o primeiro era preocupado enquanto o segundo autoritário e ameno. Quando um terceiro uivo surgiu, a cama quebrou-se como a janela pela qual o rapaz escapava. O pai sobressaltou-se, similar à esposa, e ambos correram para o quarto vazio. Pedaços do short vermelho do pijama do filho se espalhavam entre a madeira e as plumas. Foram para a janela, mas o breu da madrugada não colaborou. A lua ia. E na direção que ia, o prateado lobo corria, balançando a cabeça em confusão. Outros dois uniram-se a ele, mas aquilo que falavam não eram palavras ditas. O prateado, refugiando-se na floresta escura, tomou sua verdadeira cor acinzentada. Congratulou-se.
Primeira transformação de Paul de Twilight - escrito para Gui S. Palavras entre parenteses foram riscadas por Paul ao escrever.

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