Já que de nada usurfruo para falar-lhe
E disso, lágrimas derradeiras derramei
Mas desse rio pesaroso não tratarei
Talvez o mero lembrar de tuas feições,
Há tantas guardadas, jamais ao vivo - sinto,
Possa em mim despertar o que estava dormindo
A esperança da reescrita em linhas vivas
De forma a prolongar a prosa rara,
Afinal, amar à distância não me cansa,
Em teus cabelos longos, castanhos como a íris
Perder-me-ia a cheirar, tamanha a necessidade de te guardar
As mãos, grandes e ásperas - presumo,
Dos dedos fortes o bastante para tocar o acorde,
Deixar-te-ia repousar em meu ombro
Acalentando-me da frieza da tua ausência.
De todo, enfim, não penses que és apenas imagem,
Embora aos meus olhos e coração somente isso tenho,
O meu ser, no teu, é mais que imaginar,
É um esperar incessante, latejante,
Da sua amante

Nenhum comentário:
Postar um comentário