nada do que eu digo ou escrevo é passível de fazer sentido.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

sweet child o'mine

“O teu nome eu gravei dentro do meu coração”

Verdade, Moony. Você está em mim como nenhuma outra pessoa esteve. Como uma tatuagem nova, inchada, avermelhada, pulsante, dolorida. Mas linda, perfeita, infindável. Há traços de azul e de amarelo, como o nosso elo, o nosso amar. Essas linhas descrevem uma borboleta quando é noite, uma flor quando é dia e um coração só enquanto eu ainda puder tê-lo. E eu não sei até quando esse enquanto vai durar.
Você entenderia se estive aqui? Ora, é claro que sim. Você entendeu da última vez, lembra? Eu estava apaixonada por Vandir, um motoqueiro de 18 anos que morava em São Paulo. Velho, e as lágrimas que derramei? Nossa, muito patético. Não, não era compreensível, okay? Não, Moony, não adianta tentar me convencer como tentou daquela vez. Quinze anos não é desculpa — ressuscitando o argumento. Eu ficava manhãs e manhãs sentada, suspirando e desenhando histórias e, quando estas me sufocavam, você salvava o meu dia. A minha vida. Você tem noção disso, Moony?
E quando eu resolvi namorar o Lucas Mariano? Cara, você foi uma das primeiras a apoiar sem questionar nada. Lógico, Prongs e Lily também ficaram eufóricas quando viram os melhores amigos juntos depois daquela viagem. E foi uma viagem PERFEITA, não é? Foi a primeira da escola que você fez conosco! Velho, eu lembro direitinho que eu tive de dormir com Prongs na cama de casal, Lily e você no beliche e certo ventilador na minha cara — eu não tenho culpa de dormir pesado, viu?! —, e no dia seguinte tivemos de ouvir piadinhas — sim, Moony, não sou adepta ao casal James/Sirius, não adianta. E a viagem de volta? Cara, você não parava de virar pra trás e rir, toda fofinha, de Lucas. Man, eu ficava tão sem graça. Então, depois de dois meses, ele me traiu. É, foda.
Moony, você segurou minha mão, certo? Eu ficava chorando o tempo todo, falava em sumir e nunca mais gostar de alguém. Só o seu sorriso iluminava essas horas de demência. Sim, seu sorriso e o RPG. Nossa, eu lembro que você ficava morrendo de ciúmes dos meus amigos online, dizendo que eles não podiam ser reais, que eu devia era parar de me envolver com gente estranha e distante. Então, outra surpresa da internet: você tinha um fake! É, foi A novidade. Pelo menos você conseguiu entender os amigos que eu tinha. E até os meninos, se me lembro bem, porque sua fake tinha namorado, HAHA — patético.


“Lembro de você, amor, toda vez que passo aqui”

Fui ver seu Orkut hoje. Sim, eu voltei com o meu, pela terceira vez! É, sou esquisita. Ah, não comece, Moony! Eu tinha de te ver! Como você queria que eu me restabelecesse sem te visitar?! Olhe, sua loba safada, não comece! É sério! Não, eu não estava procurando motivos para chorar, beleza?! Errado, não estava! O quê?! Mentira! Eu não choro toda vez que vou vê-la! Sim, fico sensível, mas é normal. Oh, cale a boca, Moony! Eu só não quero te esquecer! NÃO QUERO E NEM POSSO! Porque você é a amiga mais fiel que me restou. A que está comigo não importa as circunstâncias, nem a morte, nem qualquer outra barreira. Você é a minha garota, entende? Está no pedestal que nenhuma outra estará. Moony, eu te amo, de verdade.
A sua voz debochada continua a me cutucar no meio da aula de inglês, a sua risada abafada pela mão ainda perturba minha felicidade, seus cabelos cacheados continuam embaraçados aos meus, os seus abraços ainda me sustentam quando penso em desistir de tudo, os olhos continuam presos em mim... a sua essência não me abandonou. Moony, eu ainda amo você, entende? Quero dizer, eu continuo sua amiga, certo? Não sei, estou com medo de estar te perdendo mais uma vez.
“Então me abraça forte”


“Sei que não há mais ninguém que possa me preencher”

Moony, eu não estou fazendo sentido nenhum hoje. Estou triste demais para tentar ser coesa, sabe? Man, eu tenho certeza de que meu coração está em frangalhos, e por razões bestas. Bem, o fim do terceiro ano está custando um pouco mais do que eu esperava, não tenho forças para afastar o medo de ficar sozinha ou a insegurança de não conseguir uma universidade. Claro, questões de amores platônicos também espantam meus sonhos bons, mas isso é tão ínfimo perante o vazio que me assola. Não estou brincando, Moony, eu jamais senti tamanha solidão e fraqueza. Tem cura para isso, amiga? “Vem me fazer feliz”

“Eu te quero para sempre, oh, meu bem”

Amiga, eu ainda não contei como Harry fica com Ginny, contei? Ou como Teddy Lupin nasce ou como Remus morre? Bom, é fácil explicar o motivo disso: J. K. não especificou nos livros. HAHA, eu sei, Moony. Revolta sim. É, o Sirius não volta e o seu Lupin morre como o último Maroto vivo (?). Aham, nem fala! Como J. K. foi cruel com o Remus. Ser o último dos amigos, vê-los morrer sem poder fazer nada a respeito, passar por todo o sofrimento repetidas vezes. Eu não quero passar por isso de novo. “Mas deixe as luzes acesas”
“Nem foi tempo perdido”, eu sei. Eu jamais diria algo assim. Todas as vezes que pude dizer “eu te amo”, o fiz, todas as vezes que foi necessário ou não abraçar, assim o fiz, todas as risadas e sucos de maracujá não foram em vão. E não, não estou enrolando para contar que estou apaixonada de novo por alguém impossível. Totalmente impossível, aliás. MOONY! Olhe isso! Pare de arrancar as verdades desse jeito, meu Deus!
É, eu sei. Você consegue ver as lágrimas caindo agora? Não são apenas por ele, só pra constar. É, verdade. Eu já devia ter secado tudo, mas se as lágrimas são as únicas lembranças nossas, que caiam. NÃO SOU DRAMÁTICA, SUA LOBA SARNENTA! Que coisa, mulher! COMO ASSIM DEIXAR A INSEGURANÇA DE LADO E PERGUNTAR?! Você sabe bem que não posso fazer isso. Sim, você sabe, Moony. Deixe de ser cabeça-dura! Velho, eu não devia ter te procurado. Huh, sua teimosa! Guardar as coisas não me machuca! Man, é isso. Eu não falo mais contigo.
“Me diz mais uma vez que já estamos distantes de tudo”


É, é mentira. Eu jamais suportaria não ouvir sua voz, encarar seus olhos ou não ver o seu sorriso. Eu jamais suportaria não sentir o seu calor. Você é tudo o que restou de mim e de nós, Moony. E sim, não repare na bagunça desse surto. Estou fazendo isso só para liberar, como muitas vezes me aconselharam. “Se fosse só sentir saudade, mas tem sempre algo mais” “É uma dor que dói o peito” porque “os bons morrem cedo”, certo, Moony?

Nenhum comentário: