A claridade do Saguão de Entrada a fez parar por alguns segundos, dos quais seus olhos claros estavam sensíveis. Com elegância, colocou a mão sobre as sobrancelhas louras, impedindo que os raios solares lhe incomodasse. Umideceu os lábios, mordendo o inferior para segurar o riso maldoso que quase lhe escapara ao ver o primeiranista no chão; fora atacado por um dos amigos dele. Aproximou-se de Lucius, encostando seu ombro no braço dele, cuja mão estava no bolso; era mais baixa que o menino. Continuava a proteger os olhos azuis nebulosos com as mãos ao sair de dentro do castelo, rumo ao jardim. Encarou o acompanhante, que largara sua vítima para os amigos, sua voz carregada de sarcasmo.
- Concordo, Malfoy. Esta ralé não compreende que não é bem-vinda na nossa sociedade. De fato, desconfio que não sabem, ao menos, a diferença entre uma salamandra e um dragão, aqueles seres inferiores. Mas um dia, toda esta escória será banida, esteja certo. - mantinha um tom de voz baixo por causa da pouca distância que os separava. Deu-lhe um sorriso menos frio, diferente do seu habitual, acostumando-se a agradável companhia dele. Realmente, Lucius reconhecia os bons costumes, vinha de boa família; a amizade dita perfeita. Porém, era do conhecimento da menina que os pais se conheciam e tinham outros planos para os dois, mas, claro, esta não mencionaria absolutamente nada. Não queria tornar a conversa desconfortável, seguindo ao lado dele, sentindo o sol tocar sua pele alva, deixando-a aquecida e levemente rosada. Alisou os cabelos com as mãos, prendendo-os em um coque logo em seguida, a fim de não suar; aquele penteado permitia aos andantes observar os traços finos e delicados do rosto dela, cada contorno perfeitamente simétrico. Ele se perdeu por entre as curvas do corpo esbelto dela, assim como o ar angelical que emanava inconscientemente; quem a visse ousaria cogitar que era singela. Tolice, ela diria. Detestava comparar-se as irmãs, sendo que uma era perdida – apaixonada por um nascido trouxa – e a outra uma louca obcecada pelo novo poder que surgia; porém, dizia-se pior que elas. Não que matasse, realmente suas inimizades, ou que fosse grossa. Mas era ardilosa, como uma cobra, tão venenosa quanto. Falsa, de caráter manipulador; vil. E Lucius sentia-se atraído por isso, como vários outros. Afinal, ela tinha todo um mistério desprentencioso envolta de si.
O orvalho nas folhas verdes da árvore defronte a casa, dava a parecer que a madrugada havia sido calma. Porém, o casal aniquilara todos os reles mortais assinalados por seu Lord. Quiseram eles provar a lealdade, principalmente aquele que lhe possuía. Após, deliciaram-se incansavelmente dos afagos, o toque feminil, o beijo sôfrego. Decididamente, uma noite normal entre os casados. Para eles, uma forma de terminarem uma tarefa prazerosa, de forma ainda mais afrodisíaca.
nada do que eu digo ou escrevo é passível de fazer sentido.
domingo, 27 de julho de 2008
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