Sou uma flor imperial, bela, de porte raro. Ouso me deliciar ao meu próprio e sedutor reflexo às margens dos lagos. Dentre as rosas, incomum me mostro; dos lírios, sou veneno; das tulipas, herdo a simplicidade, mas sendo mais charmosa. Qual destas simplórias plantas tu preferes? Não que sejas importante, contudo. Quero apenas julgá-lo, afinal, quem trocaria um narciso, glorioso e resplandecente quanto uma vitória-régia e uma gira-sol? Sou aquela flor mística, complexa e perfeita. Maravilhosa aos olhos. Então, que ousaria me trocar ou não me escolher? Embora estejas a pensar em sua resposta, eu me exclusa a me admirar, modesta e calmamente, enquanto você escolhe se aventurar no meu veneno.
Noite sombria era o que se tinha naquela sexta-feira. Não existia nada na escuridão do céu, e uma névoa pairava pelas ruas desertas. Afinal, já eram quatro da matina, entretanto, uma mulher loura, com seus dezessete anos, caminhava sob a escuridão. Ela encontrava-se vestida de modo estranho aos olhos dos trouxas que vagabundeavam pela madrugada; sua capa roxa berrante cobria seu corpo curvilíneo, sua saia preta e blusa de manga vermelha, que lhe realçava sua pele alva e seus olhos azuis claros. O primo a deixara ali, pela rua, alegando que tinha muitos afazeres, afinal, o Lord das Trevas o mandara caçar alguns bruxos. A garota não se importou, é claro, pois compreendia como ser um comensal da morte era difícil; de fato, ela jamais se importara com nada que dizia respeito a Regulus Black ou a qualquer outro indivíduo que não si mesma. Passou a mão pelo cabelo dourado e levemente ondulado, que se sobressaía à noite, umedecendo os lábios rosados e finos; estava levemente entediada. A solidão sempre fora sua maior companhia, aquela que não dispensava. Ficar sozinha chegava a ser agradável, mas naquela noite estava um pouco insuportável. Caminhou durante mais algum tempo, ajeitando a capa insinuante que usava; esta lhe dava um ar mítico inegável. Parou em frente a uma casa de aspecto fantasmagórico; a brisa noturna batia no assoalho de madeira podre, solto pela construção, pensando em como fora o dia. Não recordava o número de bruxos mestiços que abateu na tarde daquele mesmo dia, mas foi riscando os nomes mentalmente, como se matar, ferir e até mesmo, dilacerar fosse divertido; o que de fato era verdade, a menina tinha paixão pelo sofrimento alheio, sendo terrivelmente sádica, como sua mãe a ensinara. Porém, não pior que a irmã Bellatrix. Riu friamente com o canto dos lábios, erguendo a sobrancelha direita, acariciando a bochecha, sentindo uma gota cristalina de chuva lhe tocar. Erá gélida como seu coração petrificado. Uma Black inegável.
nada do que eu digo ou escrevo é passível de fazer sentido.
domingo, 27 de julho de 2008
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