nada do que eu digo ou escrevo é passível de fazer sentido.

domingo, 27 de julho de 2008

Guilherme Almeida Lopes.

Sabe, dessa vez eu acho que não te vejo mais. Não sei explicar essa certeza, mas sei que não aguento mais tê-la; tudo o que passamos juntos não pode simplesmente se perder com uns dias, meses, que você não retorna e nem, ao menos, liga. Foram tantas as risadas de madrugada, eu contando os meus casos e você implorando por mais; inúmeras ralhadas, por você sempre se cortar por causa da May e eu sempre me sentir a inútil e fraca, uma mera qualquer; preciosas fotos trocadas e elogios, cantadas baratas e aquilo tudo de 'oi, somos nossos'; tantos micos juntos, em um jogo de RPG. Jogo, aliás, que nos uniu fortemente em um laço que jamais quero que se desfaça: amizade. E mais que amigos, até. Irmãos. Deve ser por essa ligação que não aguento não te ver, não brigar contigo, partilhar meus pesares e rir e brincar contigo. Exatamente, estou perdendo para essa solidão que me abate certas vezes, ao pensar que passarei uma mabrugada sozinha na frente da tela, sem você para me fazer aquela companhia hilária e tão, tão necessária.
Gê, você se lembra de como sempre me chamava? De irmã, thuca, gostosa e coisas do gênero? Então, sinto falta. Ah, lembra do seu apelido oficial, aquele que você deu pra mim? Sabe, Dê? Então, tem muita gente que me chama por ele, mas não faz o mesmo sentido quando é não sou chamada por você. Não que eu não goste que me chamem assim, só prefiro que quem tenha criado que o faça com mais freqüência. Por falar em freqüência, que tal tratarmos de como você entrava no msn todos os dias e, quando eu aprecia, me dava uma bronca por tê-lo deixado só durante meu sumiço? Você realmente não imagina a falta que faz. Pior ainda é que eu ainda não sei como eu vou ralhar contigo por me fazer esperar todos os dias e não dar as caras.
Eu procurei pelos seus fakes, tem noção disso? Não achei nenhum. Nem aquele que você mais usava, só para falar com sua namorada. Engraçado, não? Não. É tão sem graça que chorei. É. Chorei mesmo, feito um bebê, até. Sim, culpa sua, seu traste, que nem me avisou que ia fazer isso; deletar todos aqueles fakes deve ter dado muito trabalho. E, sabe do que mais? Eu até gostei, no fundo, de saber que você parou com aquilo, porque estava começando a tirar sua atenção da escola e tudo o mais. Espero que, e olha que egoísmo da minha parte, você volte a ser aquele idiota que precisa do meu cérebro pra fazer trabalhos, e volte às suas vidas falsas.
Melhor que isso, quero que prossiga comigo todo aquele caminho que é o crescer, pois foi como combinamos. Seria te pedir demais? Acho que não, afinal, foi uma promessa, né? Talvez seja por isso que ainda não me desesperei; temos muito por cumprir juntos, como prometemos. E palavra de sonserinos - Narcissa e Regulus Black - não é quebrada. De amigos muito menos.
Espero, sinceramente, que você não esteja na cama de algum hospital, no seu quarto se arranhando com uma faca ou com as próprias unhas, como fazia quando depressivo. E, se estiver, nada posso fazer a não ser zelar para que seu espaço no meu coração JAMAIS seja de outra pessoa, o que, pode ficar relaxado, é mesmo algo IMPOSSÍVEL de se acontecer, amigo meu. Vou deixar esta pequena nota, nada sentimentalista ou sem sentido, à sua imagem com o seguinte lembrete:
"Agora O bicho vai pegar!!!
Ela tá chegando de bicho. ela tá chegando e é de bicho
Pode parar com essa história de se fazer de difícil
Que eu ela tá chegando, tá chegando e é de bicho
Pode parar com essa marra, pode parando tudo isso
Num dá bobeira não
Cê tá na mão dela, segunda - feira é só história pracontar
Não vem cum idéia não
Ela não quer confusão [ mentira ]
Mas vamo junto que hoje o bicho vai pegar
Chegou a Dandara de Elite, osso duro de roer
Pega um pega geral, também vai pegar você ♥"
Daquela que te ama e que te viciou TOTAL em Rooney,
Dê.

Para você, mon petit.

Que tal cansarmos do acaso? Darmos adeus ao descompasso, viajarmos pelo crepúsculo, caminharmos pelo luar? Que tal amarmos, verdadeiramente? Flutuarmos ao balance sutil do vento, beijar a boca frouxa da morte e saciar-se no carmesim diurno? Que tal dançarmos, cantarmos sem nos refrear pelos outros? Que tal sermos quem somos? Nos perder na calada da noite e gritar nossos sonhos?

Queria me perder em palavras sôfregas ao pé de seu ouvido, escutando sua resposta em um suspiro ansioso. Sentir em teus beijos doces a solidez do meu sentimento, a pureza de minha alma em comunhão com a tua carne. Adoraria, em nossos abraços, engolfar-te a ponto de te perder em mim, te levando comigo além da imagem em minha mente, podendo te arrancar de mim sempre que sentir saudade - ou seja, sempre -. Em seu perfume me embriagar, inalando o seu amor em resposta ao meu desejo insano, por vezes profano.

Uma parte DELE.

A claridade do Saguão de Entrada a fez parar por alguns segundos, dos quais seus olhos claros estavam sensíveis. Com elegância, colocou a mão sobre as sobrancelhas louras, impedindo que os raios solares lhe incomodasse. Umideceu os lábios, mordendo o inferior para segurar o riso maldoso que quase lhe escapara ao ver o primeiranista no chão; fora atacado por um dos amigos dele. Aproximou-se de Lucius, encostando seu ombro no braço dele, cuja mão estava no bolso; era mais baixa que o menino. Continuava a proteger os olhos azuis nebulosos com as mãos ao sair de dentro do castelo, rumo ao jardim. Encarou o acompanhante, que largara sua vítima para os amigos, sua voz carregada de sarcasmo.
- Concordo, Malfoy. Esta ralé não compreende que não é bem-vinda na nossa sociedade. De fato, desconfio que não sabem, ao menos, a diferença entre uma salamandra e um dragão, aqueles seres inferiores. Mas um dia, toda esta escória será banida, esteja certo. - mantinha um tom de voz baixo por causa da pouca distância que os separava. Deu-lhe um sorriso menos frio, diferente do seu habitual, acostumando-se a agradável companhia dele. Realmente, Lucius reconhecia os bons costumes, vinha de boa família; a amizade dita perfeita. Porém, era do conhecimento da menina que os pais se conheciam e tinham outros planos para os dois, mas, claro, esta não mencionaria absolutamente nada. Não queria tornar a conversa desconfortável, seguindo ao lado dele, sentindo o sol tocar sua pele alva, deixando-a aquecida e levemente rosada. Alisou os cabelos com as mãos, prendendo-os em um coque logo em seguida, a fim de não suar; aquele penteado permitia aos andantes observar os traços finos e delicados do rosto dela, cada contorno perfeitamente simétrico. Ele se perdeu por entre as curvas do corpo esbelto dela, assim como o ar angelical que emanava inconscientemente; quem a visse ousaria cogitar que era singela. Tolice, ela diria. Detestava comparar-se as irmãs, sendo que uma era perdida – apaixonada por um nascido trouxa – e a outra uma louca obcecada pelo novo poder que surgia; porém, dizia-se pior que elas. Não que matasse, realmente suas inimizades, ou que fosse grossa. Mas era ardilosa, como uma cobra, tão venenosa quanto. Falsa, de caráter manipulador; vil. E Lucius sentia-se atraído por isso, como vários outros. Afinal, ela tinha todo um mistério desprentencioso envolta de si.

O orvalho nas folhas verdes da árvore defronte a casa, dava a parecer que a madrugada havia sido calma. Porém, o casal aniquilara todos os reles mortais assinalados por seu Lord. Quiseram eles provar a lealdade, principalmente aquele que lhe possuía. Após, deliciaram-se incansavelmente dos afagos, o toque feminil, o beijo sôfrego. Decididamente, uma noite normal entre os casados. Para eles, uma forma de terminarem uma tarefa prazerosa, de forma ainda mais afrodisíaca.

Uma parte de mim.

Sou uma flor imperial, bela, de porte raro. Ouso me deliciar ao meu próprio e sedutor reflexo às margens dos lagos. Dentre as rosas, incomum me mostro; dos lírios, sou veneno; das tulipas, herdo a simplicidade, mas sendo mais charmosa. Qual destas simplórias plantas tu preferes? Não que sejas importante, contudo. Quero apenas julgá-lo, afinal, quem trocaria um narciso, glorioso e resplandecente quanto uma vitória-régia e uma gira-sol? Sou aquela flor mística, complexa e perfeita. Maravilhosa aos olhos. Então, que ousaria me trocar ou não me escolher? Embora estejas a pensar em sua resposta, eu me exclusa a me admirar, modesta e calmamente, enquanto você escolhe se aventurar no meu veneno.

Noite sombria era o que se tinha naquela sexta-feira. Não existia nada na escuridão do céu, e uma névoa pairava pelas ruas desertas. Afinal, já eram quatro da matina, entretanto, uma mulher loura, com seus dezessete anos, caminhava sob a escuridão. Ela encontrava-se vestida de modo estranho aos olhos dos trouxas que vagabundeavam pela madrugada; sua capa roxa berrante cobria seu corpo curvilíneo, sua saia preta e blusa de manga vermelha, que lhe realçava sua pele alva e seus olhos azuis claros. O primo a deixara ali, pela rua, alegando que tinha muitos afazeres, afinal, o Lord das Trevas o mandara caçar alguns bruxos. A garota não se importou, é claro, pois compreendia como ser um comensal da morte era difícil; de fato, ela jamais se importara com nada que dizia respeito a Regulus Black ou a qualquer outro indivíduo que não si mesma. Passou a mão pelo cabelo dourado e levemente ondulado, que se sobressaía à noite, umedecendo os lábios rosados e finos; estava levemente entediada. A solidão sempre fora sua maior companhia, aquela que não dispensava. Ficar sozinha chegava a ser agradável, mas naquela noite estava um pouco insuportável. Caminhou durante mais algum tempo, ajeitando a capa insinuante que usava; esta lhe dava um ar mítico inegável. Parou em frente a uma casa de aspecto fantasmagórico; a brisa noturna batia no assoalho de madeira podre, solto pela construção, pensando em como fora o dia. Não recordava o número de bruxos mestiços que abateu na tarde daquele mesmo dia, mas foi riscando os nomes mentalmente, como se matar, ferir e até mesmo, dilacerar fosse divertido; o que de fato era verdade, a menina tinha paixão pelo sofrimento alheio, sendo terrivelmente sádica, como sua mãe a ensinara. Porém, não pior que a irmã Bellatrix. Riu friamente com o canto dos lábios, erguendo a sobrancelha direita, acariciando a bochecha, sentindo uma gota cristalina de chuva lhe tocar. Erá gélida como seu coração petrificado. Uma Black inegável.