nada do que eu digo ou escrevo é passível de fazer sentido.

sábado, 26 de março de 2011

Deixei-me impressa em teus olhos propositadamente. Assim, pensei, perpetuaria minha imagem em tua mente. Aprisionei meu perfume em tua pele desavisada, porque queria a total absorção. Assim seria a senhora de teu corpo. E minha voz, a qual clama e delira com teu nome, ficou. Sem rumo, errante. Apenas para encontrar teu coração. E envenená-lo de mim.
Estou numa vontade imensa de me perder, apenas para me encontrar em você. Ali, impressa, diluída, própria de teu cerne. Enroscada em tuas veias, aconchegada naquilo que me consome. Queria tornar-me sua, mais uma vez, esta noite.

terça-feira, 1 de março de 2011

De Amor

Acariciou-lhe a face pálida, colorida artificialmente pelas luzes rosadas do quarto. Tinha uma tez macia, exausta pelo labor anterior, silenciosa como um cálido renegado - anjo destronado. O castanho de sua íris - impresso nos olhos lacrimosos dela - estava escondido sob suas pálpebras delicadas de menino. Aquele o qual bricava de homem, sem ter as esperanças e sonhos pisoteados pelo mundo que ela - agora - decidira enfrentar, pousava feito uma pintura deliciosa entre os lençóis. Emaranhado ali, perdia-se profundamente no esquecimento da despedida. E ela se levantava.
Vestiu-se, calçou-se e lançou vôo. Para longe dali, para o mais distante possível de si. Não olhou para trás, tampouco forçou o remorso sumir. Durante toda a noite solitária, riu-se e divertiu-se da idéia estúpida de deixá-lo jogado às lembranças. Momentos saudosos perpassaram sua mente, os quais os sorrisos dele espantaram; uma casa, uma família, um anel. Momentos, coitada, que jamais foram reais - talvez num futuro distante, se enganava. Momentos tão perdidos por causa de sua decisão que o sofrimento ainda era pouco para fazê-la retroceder. Por isso não o podia perder, afinal era seu único elo com o abandonado.
Parte de si repetiu as juras feitas: " Terás aqui um ninho." "Viverás sempre comigo." "Não poderei mais esquecê-lo." E todas estas palavras ficaram, jogadas ao vento que acaraciava os lençóis e o menino recém acordado. Um pesadelo estremeceu sua alma e o despertou. A parte dela, que continuava ali, suspirou para porta aberta. Ele sabia que os caminhos eram diversos e as decisões infinitas, e que ela tivera a liberdade de querê-lo no último instante assim como seu coração decidiu se amarrar aos anseios dela.
E ali tivera a maior prova.