nada do que eu digo ou escrevo é passível de fazer sentido.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Eventualidades III
Dirigiu-se a Wilkes primeiramente, notando a presença de Lestrange em seguida. Cessaram os movimentos em meu sistema digestório, principiando falhar o respiratório e cardíaco. Eu já estava estressada o suficiente, Rosier se sentir ameaçado e não se aproximar de mim apenas piorava tudo. Então, ele me surpreendeu. Beijou-me o rosto após desejar-me boa noite intimamente com o meu apelido — utilizado apenas por Alecto, deixe-me frisar. De fato, seus lábios encostaram os cantos dos meus. Meus olhos se arregalaram e eu senti o rubor e torpor se apossar de mim. O que ele estava pensando? Não podia me tratar assim, como uma mera garota que ele se interessava por brincar. Entrementes, aqueles mínimos toques fizeram meus lábios ferverem — talvez minha boca tenha aderido permanentemente o vermelho do batom, o qual eu podia ver na boca dele um pouco rosado, ou imaginar ver. Eu ia me dirigir a Evan, dizer o quanto fora indelicado mas o perdoaria. Diria ainda que ele poderia conseguir mais do que isso, se quisesse. Tudo bem, eu não ia dizer isso, e sequer tive a oportunidade de falar qualquer coisa. Mamãe já estava me tomando pela mão, afastando-me dele.
— Comporte-se, senhor Rosier! — ela alterou o tom de voz, a fúria declarada em suas expressões fortes. Vi alguns fios de seu cabelo se desprenderem do elegante coque que havia feito, tamanha quantidade de xingamentos que guardava para si — Espero que seu — sua boa se curvou em um sorriso sarcástico e maldoso, fulminando o rapaz com o olhar — descuido não se repita. — era mais que um aviso ou uma ordem — Minha Megaira — corrigiu-o pelo uso de apelidos — não é para você. — terminou cortante e incisiva. Estava resoluta a me afastar de Rosier, carregando-me para perto da porta, onde papai ainda estava. Ele pouco importou para toda a situação, concentrando-se no senhor Wilkes. Revirei os olhos, deixando-os vagar para a figura elegante de Evan. Minha boca ainda fervia.
Eventualidades II
— Boa noite — levei meio segundo para lembrar o primeiro nome de Wilkes, afinal, não convivíamos tanto —, Ares. — por sorte, escutei várias vezes papai pronunciar aquele nome, porque o progenitor daquele em minha frente fazia grandes negócios com nossa família. Isto causava desentendimentos entre meu pai e eu, pois ele prezava amizades com influências certas. Ri-me disso, dando mais veracidade ao fato de agradar com a educação do jovem.
Observei o movimento de suas mãos ao bolso, mas seu próximo ato passou em branco frente aos meus olhos. Quando voltei a encarar seu rosto, lá estava o cigarro sendo tragado, seus traços de prazer por sentir a fumaça em seu pulmão. E aquele cheiro me deu água na boca. Elementos químicos mortais clamando por mim — meu coração pulsou mais forte pelo desejo. Meus lábios começaram a formigar de vontade de ter aquilo entre eles, aliviando-me do stress de ser futura noiva de alguém. Artérias, veias, vasos. Tudo reclamava o cigarro. Maldito vício. Maldito garoto; matava-me saber que não poderia me saciar enquanto meus pais estivessem presentes. Engoli todas aquelas emoções junto da saliva, mantendo-me imperturbável quanto ao sorriso. Continuava tão puramente verdadeira que me dava ânsia.
— Sim, é este nome mesmo. — minha voz era meiga, rouca como se já não a usasse. Estava preste a continuar a me socializar quando o vi. Neste momento, não contive nada; tudo se perdeu. A alegria, a cobiça, restando o stress. Eu deveria saber que ele viria logo — outro pulso forte em meu peito. Merda, começara. Eu devia estar lívida de raiva, frustração, agonia e receio. Limpei a garganta, retomando a atmosfera feliz que me munia outrora, mesmo falsa. Desta vez, porém, senti que minha máscara poderia ruir se não me concentrasse, e eu tinha de fazê-lo para o meu companheiro não reparar as repentinas mudanças em minha fisionomia. — Então... — quis retomar um assunto nunca principiado, recorrendo a todos os neurônios cabíveis para me ater ao teatro — ouvi Bellatrix certa vez dizer que você torcia por algum time... Cannons? — quis me dar um soco. Frivolidade como quadribol logo despertaria a desconfiança se ele fosse um bom observador, ou se estivesse me olhando — Acho Falcons bons. — pigarreei, lançando um olhar furtivo à escada. Ele descia despreocupado com um sorriso esquivo no rosto. Mais uma vez, o stress atingiu o apogeu — o que eu faria agora que Rabastan descia? Num outro olhar rápido, vi minha mãe encarando-nos, o brilho de fascínio lá. O medo bateu-me estampado em meu azul.
O que não devem querer as mulheres?
Destruam o seriado idiota da Globo! Não se trata mais sobre o que nós queremos, buscamos ou esperamos de pessoas que simplesmente não nos valorizam. Trata-se de seres humanos patéticos que apenas querem saciar suas necessidades sexuais, independente do histórico de amizade ou a quantidade de sentimento envolvida. Aliás, a fuga desses dois pontos principais que nós, mulheres, valorizamos é o que mais nos consterna. Afinal, nós sabemos o que os homens querem e eles também, mas continuamos loucas atrás de respostas plausíveis para suas canalhices e ignoradas. A verdade é que ninguém mais procura compreender o outro da forma como nós, as injustiçadas, procuramos. E por que isso? Porque somos estúpidas.
Infinitamente estúpidas. Fantasmas iludidos em busca de amor, o sentimento e, quem sabe, um pouquinho de contato físico. Talvez algo como um abraço — a demonstração mais simples e pura de afeto que existe. Quem sabe só um único olhar. Um olhar! E, enquanto iludidas esperamos pelo veredicto da sociedade, há um Romeu escondido entre linhas de mapas que se sente igual. Acreditamos que há, pois não nos resta outra esperança; e, enquanto isso, deixamos para trás as fibras de nossos corações com erratas que aparecem em nosso caminho.
“Você não é só mais uma”. Típica frase de quem diz que te valoriza e, no momento seguinte, faz a enorme merda de... Sei lá... Transar com outra? Beijar outra? Sorrir para outra? Desejar outras? O fato é: Sim, você realmente não é como as outras, querida. Você é aquela que ele cozinha, porque sabe que estará sempre ali, no cantinho do matinho da sala escura, esperando por seu retorno triunfal da noitada de quinta. Ou de sexta. Ou de sábado. Então, depois dessa declaração DIVA e das desculpas trocadas, sem contar as promessas renovadas, tentamos confiar novamente em nossas vãs idéias de “somos ótimos juntos”. Alô?! Diga-me: Você terá coragem mesmo de se entregar novamente? De dar a cara a tapa por uma pessoa que pode fazer tudo aquilo de novo e, talvez, nem se preocupar em contar por saber que vai te perder desta forma? Bem, julgue o tempo que for necessário e depois concorde comigo: NÃO.
Mas é aí que se encontra nosso erro. Terrível erro, o erro mais grave! O erro de pensar que não irá acontecer novamente. Porque sim, vai. E você esperará, dará a cara a tapa, tudo para descobrir que ele é mais um. PARABÉNS, VOCÊ FOI ENGANADA DE NOVO! Entregou seu coração ao primeiro que apareceu dizendo querer socorrê-lo, e foi isso o que aconteceu. E aí você sofre, implora misericórdia ao seu coração e promete a si mesma que nunca mais (nunca mais!) irá se apaixonar outra vez. Mas você se apaixona. E todos esses golpes no estômago são triplicados no coração. E você resolve construir uma barreira em volta do seu precioso, decide nunca mais deixar ninguém entrar ali e conhecer seus segredos e medos, porque o alguém que você ama não existe. Mas você ainda se ilude! Você ainda vê nele o sorriso que ilumina seu dia e as palavras que despertam as borboletas em seu estômago; porque você é assim, vê em um o que não deveria ver em todos, e o que na verdade não existe em nenhum. Lembra do Romeu, perdido no mapa? Esqueça-o. Feche seu coração aos amores, e ele se fechará às lágrimas. Nada te impede — afinal, não há coração nem mágoas em nossas necessidades fisiológicas.
Ademais, você sabe tão bem quanto eu que nada vai mudar. Ele vai continuar a não te ligar ou mandar mensagem off no MSN ou no celular, não vai mover uma palha para te ver no final do dia, tampouco vai dançar The Way You Look Tonight agarradinho com você. Não. O delicioso vai te deixar na mão todas as vezes, porque não tem razão para manter um relacionamento saudável com uma “oferecida”. E não digo isso por você ser uma piriga de verdade — bem, nunca se sabe —, meu bem, mas pelo fato de você sempre se doar por completo àquele ser miserável e manipulador. E não, não estou falando do maldito que roubou seu coração: é o BURRO do seu coração mesmo. É ele quem bate acelerado toda vez que o sorriso simétrico aparece, quem implora por mais um beijo fervoroso ao fim de uma noite intensa de carícias, quem decide ficar mais tempo só para agradar as reviravoltas do estômago, quem coordena todos os suores frios e risadas histéricas e pedidos velados. E aí está nosso grande vilão, mancomunado aos delírios de um garoto diferente, especial... Ideal . Cara, caia na real: o gatinho não está tão na sua assim a ponto de esforçar-se por você. Volte ao início desse parágrafo e leia a pequena listinha de coisas que ele NÃO vai fazer e... BEIJOS. Seja feliz.
Você vai desistir do seu amado Homem, com H maiúsculo e CAFAJESTE em caps lock. Você vai perceber como tudo nele que a fazia amá-lo, agora lhe dá nojo. Sim, nojo! Cada mania se tornou insuportável, e você não consegue nem ouvir aquele barulhinho da chave quando ele abre a porta, ou toque especial que você colocou no celular quando ele liga, quiçá a gargalhada que costumava ninar suas magníficas manhãs. Nojo. Nada mais do que isso. Nojo dele e seus atos reprováveis. Nojo de si e sua idiotice nata de mulher apaixonada. Nojo de tudo o que viveram juntos e — ele promete — ainda viverão — ou não. Aposte no não, aviso desde já. Mas sabe o que é o pior? Apesar de todo esse nojo, toda essa revolta contra si mesma e o mundo masculino, você ainda vai dar as chances pedidas. Você ainda vai conseguir se emburrecer ao ponto de confiar outra e outra e mais outra vez. O que você deve fazer? Preciso mesmo dizer?
Sim, minha querida comidinha, você deve desistir desse filho da puta. E já. Neste exato e cruel e crucial e infindável momento. Mande uma SMS com os dizeres: “Não te quero mais. Cansei. Tenha um ótimo dia. P.S.: Não, não me ligue ou me procure. É definitivo.” Neste momento ele VAI procurar, VAI chorar, VAI espernear, VAI jurar por Deus, pela terra, pelo céu e o mar. Mas você não vai voltar, compreendeu? É o fim, de verdade. Não tem mais cabimento você se enganar desta forma, não tem mais destreza de continuar na salinha de espera, não precisa mais se iludir. Se você teve força para voltar durante tanto tempo, tenha força de dizer basta! Oras, ele nunca vai de fato te querer como você o quer. Jamais passará pela cabeça dele se entregar como você se entrega. ELE É UM FILHO DA PUTA! É UM HOMEM , POR DEUS! Eu não preciso citar tudo o que isso significa e quantas lágrimas você derrama só por este motivo. Todas sabem que esta palavra e definição já dizem tudo o que desgostamos por si só. E é justificativa suficiente para ficar o mais distante possível desse pedaço de carne e desejos ambulante. Vamos lá! Ligue o telefone e mande a mensagem! Desista dessa vida de Madre Tereza! E, por favor, não fique esperando que agora vá aparecer outro melhor, porque não vai. Ambas sabemos que a raça deles não se difere como a nossa: nenhum presta ou prestará. Podem tentar esconder suas naturezas más, porém, serão desmascarados.
Conviva com a realidade de que há alguém lá fora, esperando por você. E que esse alguém não vai te encontrar assim tão cedo, talvez nunca — acredite-me. Talvez nem mesmo exista — o que, na verdade, é o que acontece no mundo real, princess! Aceite essa realidade, porque coração alimentado é coração iludido. E coração iludido é o que faz de você uma idiota.
Homens, retraí-vos! Não voltem seus olhos para nós com cobiça, desejo ou escárnio. Não nos subestimem! Já sofremos demais. Já guardamos demais.
E cá está nossa fórmula de livrarmos de vocês: Vão se ferrar, testosteronas à solta!
Beijundas de D. e A., aquelas que torcem pela liberdade de todas as criaturas lacrimosas desse mundo
