nada do que eu digo ou escrevo é passível de fazer sentido.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Àquela hermosa

Ouvi-a uma vez.

Assim como os sinos apenas tocam e ecoam,
Fixou-se no âmago de minha mente,
Ávida por mais daqueles momentos,
Seu sorriso solene.

Ouvia-a uma vez.

A ausência física é superada,
Se esta pequena marcada apresenta-se
— Tão cândida essência, ó Glória!
De forma a desanuviar a preocupação.

Pequena luz de vida,
Que me incendeia o coração — ainda agora sinto sua voz aos ouvidos,
Não se esqueça do Cerne — tua Virtude frutífera
O qual alimenta minh’alma:

Lembra-te, Formosa, dos Paraísos.
Pois esses não o seriam
Não fossem seus Sorrisos.

Ó Amabilidade,
Encantai-me uma vez!
Pois assim a ouvi, Beleza — inerente ao meu Espírito.

Não sei mais perder-me de ti, Carinho meu,
Porque uma só vez bastou-me
Para achá-la em mim


— E ali permanecer.
— Ouvi-a uma vez.

Ode à Confiança

Como o horizonte, ó Tênue minha,
Quebranta-me!

Faça-me ar de universo,
Infinito de desilusões,
Vazio repleto de desesperanças.

Ó, Amada Sinfonia,
Dai-me destreza para acertar o acorde
De desamores e aflições constantes.

Ó, Dona de minha Lágrima,
Divida-me em duas metades assimétricas,
Sendo uma o Calor — maior de mim
E outra o Rancor dúbio que invade o Corpo — condena o Espírito

Mancha-me, Inigualável!
Devora-me de sorrisos rasos e intenções profundas.

Dor minha,
Entrelaça-me à sorte — dos destroços!

Senhora de Cinza,
Faça-me renascer de tuas vindas
E curar-me de tuas idas — fortaleza de poeira.


Flor de Ausência,
Sem abandono de mim, digo:
Conservo-te nobre, Rainha de minha vida

Pois os pedaços de Orgulho e Amor Próprio
Não os são mais por si mesmos
Perdidos de Tua presença negligente.

Inalterável Alma,
Ó Imutável Sentimento,
Engula-me por inteiro!

Porque este quebrantamento, Amada
És Mortal, Tênue Linha.

— Possuída, digo: Sou apenas o Vento,
Trancafiado na liberdade lúgubre de Tuas asas,
Fim meu.

Àquela pequena

Saias de cetim, fitas com laço, pó de imaginação.
A cor da borboleta de pano varia — vermelha, amarela e azul
A mistura do verde, laranja e branco — a íris da minha formosa

Menina, criança, onça
Braba, falha, pálida
Pura de qualquer desarmonia,
Acesa ao lúgubre som das asas.

Mimosa flor, de maçãs raras, redondas e coradas
Lança-se sobre o mundo como a brisa matutina,
Aventura-se entre os ramos, meu pequeno macaco, que
De tão pequeno,
Quebrou-se em mil — adeus casulo.

Garota, jovem, amante
Determinada, errada, transformada
Imaculada de qualquer velhice,
Desmaiada em prantos do alvorecer...

Traga-me a certeza do crepúsculo incessante,
Das rodas de cirandas passadas,
Dos batons postos à boca recheada
De sonhos, ilusões, conquistas.

Pois não é mais cetim seu corpo frágil,
Tampouco borboleta.
És pedra composta por cores e dores
Do acordar.

Ó candura de minh’alma!
Perca-se em mim, transfigurada!
Brisa de minha noite, que há pouco chegou,
Tornar-se-á primavera
De quinze pontos
No meu único centro.

Cura-me, amor, de minha nostalgia — transforma-me na alvorada de seu crepúsculo, ó noite!
Pois sou o tempo — senhor do teu cetim
Sou a voz do seu eu — perdido,
O futuro de tua íris — há muitas guardadas.