nada do que eu digo ou escrevo é passível de fazer sentido.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Happy B-day, Solomon!

So, it may look a little ridiculous to come here and say ‘happy birthday, best wishes, etc’ without actually knowing you – I’d even say it’s a fanatic girl’s thing. But I think you deserve to be reminded in your day – which, for me and all the other people who cheer for you, that’s everyday – and more than that, deserve all the affection that you’ve conquered for being so conscious. After all, who else would give their time in a hospital, visiting children, writing poems and give their best to get what they wish? Okay, there are more people like you, daring and willing to do anything that’s possible to conquer what they want and change the world – because, let’s be honest, what you do is precious. I feel that, more than ever, you’re magnificent, and now you’re twenty-five, capable. You’re more mature, became a man without disconnecting yourself from the purity of family, you’ve grown up – oh, and to say that, there’s no need for ten years of friendship, ‘cause your simple acts speak for themselves. I believe in you, I believe you’ll conquer, from this day on, all that’s yours. And, look, I know that’s a lot – worthily. A little redundant, I know. I can’t develop the words very well ‘because I feel embarrassed – please, don’t mind. Anyway, I wish all the most sincere cliches of happiness, love, a long life and prosperity for you. Twenty-five years are not for everyone, mister Nerd.

Mandado no dia 18.06.2009 ao ator Solomon Trimble via Facebook. Apenas como recordação de um surto enorme.

Paul

O lusco-fusco tornou-se breu em questão de minutos. A figura, antes meio iluminada ao bruxuleante luar à janela, revirou-se na cama soltando resmungos ininteligíveis. Respirava tão profundamente que se assemelhava ao ronco, seu peitoral másculo descoberto e a pele – à luz – acobreada, suada. Não era por causa do sonho que tinha que transpirava, pois não sonhava, e sim do calor.
- Faz-se geada hoje, tamanha a queda de temperatura. – a televisão da sala alertou. Revirou-se novamente, produzindo sons guturais; os lençóis começavam a se encharcar de suor.
Três horas. Três horas e um minuto. Três horas e dois minutos. Três horas e vinte e cinco minutos. Incontáveis as voltas que dera na cama; posicionou-se voltado para baixo, para cima, contorceu-se para caber de lado, pendeu pernas e braços e cabeça. Quente, cada vez mais. Insuportável. O escuro persistiu mesmo com as pálpebras abertas, então se ergueu apalpando a escuridão, encontrando o interruptor perto da porta. Assim que se fez claro, o castanho de sua íris acostumou-se lentamente, ainda tendo o globo avermelhado de sono extremo.
Seus pais, Andromeda e Kenny, superprotetores e amáveis alegam que a sonolência era normal na idade do filho, assim como seu crescimento acelerado e fortificação dos músculos. Não veriam, claro, a anormalidade genética evidente – e era a obrigação de Kenny cuidar disso, como o homem da casa. Sua criança foi tão mimada por ser única, que o pai cegou-se para os sintomas; um menino tão bem educado e atendido em todos seus caprichos não teria problemas como aquele.
Ele dirigiu-se à gaveta, tirando de lá o caderno mais manuseado ultimamente junto de uma caneta. Acomodou-se no chão, apoiando no criado-mudo para escrever. Folheou rabugento de cansaço, encontrando uma página em branco; à tinta:


Já é a vigésima noite que acordo com tais dores no corpo. A febre parece não ceder, apenas quando dia – durante a tarde começa os habituais tremeliques. Acho que essa doença é terminal. Céus, pergunto-me se farei falta.
Sam se distanciou de mim há meses, e não vou me humilhar por sua amizade só porque estou morrendo. Mas não posso negar que suas palhaçadas irônicas e, conseqüentemente, inteligentes fazem falta. Jared, rodeado de pretendentes por causa de seu charme natural e seu ar pseudo-intelectual, está mais indiferente com o mundo do que nunca e sumiu. Ou seja, não tenho amigos, pois os melhores me abandonam nesse momento difícil de partida.
Acho que é assim por causa da minha ausência de talentos. Eu não sou tão inteligente – notas abaixo da média – e nem bonito, embora me garanta com meu cabelo escuro (a voar pelo vento) – gay. Simpatia também não é meu forte, o Jacob ficou com tudo para ele nesse quesito, assim como Quil e Seth. Embry... eu nem sei, afinal, Sam não gosta de andar com o suposto irmão e eu sempre fui leal aos amigos. O que eu sou? O que tenho de mais? Pelo visto, a doença.
(AAAAAAAAAAAAAH, QUE BOSTA, PORRA, MERDA, CARALHO) – estou (puto) irritado.
Quanta injustiça. Todos têm algo de especial, menos eu! E ainda estou morrendo!
A freqüência dos meus ataques de fúria aumentaram, iguais aos sintomas da doença. Antes já reclamavam que eu não sabia brincar, que apelava facilmente. Hoje eu não consigo nem prever como está meu humor, tamanha a variação. (BUCE) Inspirar, expirar. Inspirar. Expirar. Inspirar. Expirar. (CACETE) Eu não consigo controlar a raiva desse jeito, só piora porque me sinto idiota. Cadê minha mãe? Ela devia estar aqui, cuidando de seu filho moribundo. Se estiver dormindo, a acordo. Eu preciso de atenção (PORRA) !
Quer saber? Para o inferno tudo isso. Vou acordar minha mãe para buscar água.
Paul


Guardou os materiais na gaveta, caminhando para o interruptor e apagando a luz. Colocou a cabeça para fora da porta do quarto, espiando o curto corredor da casa. A televisão da sala, onde seu pai provavelmente adormecera com a comida acima da barriga volumosa, continuava ligada. Entrou para o quarto mais uma vez, deitando-se na cama ensopada. O nojo não o invadiu, como normalmente faria, mas a fúria, que tremeu todo o seu corpo. Ficou convulsivo, e ele não entendia a origem da raiva; já dormira num leito molhado antes, quando criança.
Dois uivos foram ouvidos ao longe; o primeiro era preocupado enquanto o segundo autoritário e ameno. Quando um terceiro uivo surgiu, a cama quebrou-se como a janela pela qual o rapaz escapava. O pai sobressaltou-se, similar à esposa, e ambos correram para o quarto vazio. Pedaços do short vermelho do pijama do filho se espalhavam entre a madeira e as plumas. Foram para a janela, mas o breu da madrugada não colaborou. A lua ia. E na direção que ia, o prateado lobo corria, balançando a cabeça em confusão. Outros dois uniram-se a ele, mas aquilo que falavam não eram palavras ditas. O prateado, refugiando-se na floresta escura, tomou sua verdadeira cor acinzentada. Congratulou-se.
Primeira transformação de Paul de Twilight - escrito para Gui S. Palavras entre parenteses foram riscadas por Paul ao escrever.

Nalahamed Trimble

“A música bate-estaca soa na mesma batida que o meu coração. Posso sentir o baixo batendo dentro do meu peito – tum tum. É difícil enxergar à minha volta com tantos corpos se contorcendo, ainda mais com a névoa de gelo seco e as luzes bruxuleantes do teto do clube, que criam uma atmosfera um tanto hostil.
Mas sei que ele está aqui. Posso senti-lo.”

Era fato como Meg Cabot sempre me compreendeu, escrevendo seus magníficos romances engraçados, suas personagens iguais a mim, os gostos musicais e literários e os homens perfeitos que todas as adolescentes normais ficariam loucas para ter. Porém, ela foi muito além dessa vez. Troque a música agitada por uma funérea, os corpos de movimentos epiléticos por gemidos chorosos e adicione um vazio enorme. Vazio tal que eu jamais conseguiria preencher, como um grande e profundo buraco na Terra, que a atravessa e destrói. Porque era exatamente assim que me sentia, dentro de um poço sem fundo, caindo, caindo, caindo, caindo... Quando a queda cessaria? O chão seria mortal? Teria eu a sorte de segui-lo?
O mais estranho de tudo era a negação. Afinal, não podia ser real – aquele corpo encaixotado, lacrado e, com certeza, deformado, não podia ser dele. Olhe, eu realmente tentava enfiar na minha cabeça que jamais teria o abraço, o calor, o beijo sem malícia, o sorriso de escárnio favorito, as tiradas inteligentes, as conversas sobre livros, a guitarra e o violão a soar pela casa, as explosões por causa do trabalho. Maldito trabalho, aliás. Foi por culpa de uma reunião nos Estados Unidos que o perdi. Para sempre. NÃO. Não era real. Tudo não passava de um pesadelo infame, o qual eu fui magoada mortalmente. Nunca sabemos separar o verdadeiro do sonho, claro. Aquela angústia passaria em breve, assim que eu acordasse. Ele mesmo estaria do meu lado, secando as lágrimas quentes que jorrariam dos meus olhos azuis. Era por isso, também, que eu não chorava agora, porque tinha consciência de que irreal fato não passaria disso.
“Querida, não quer nem se sentar?”, oh, pobre Sarabi. Não tinha razão para me sentar se, na verdade, eu estava deitada em minha cama, dormindo profundamente. Sorri para seu rosto manchado de rímel; como sou má por sonhar com uma pessoa tão boa chorando com tamanho desespero. E isso porque ainda não conseguia focalizar mamãe. Ela estaria arrasada, céus. Tal visão só pioraria o pesadelo e papai teria mais dificuldade para me acalmar. De qualquer forma, Sarabi soltou mais lágrimas por me ver sorrir, abraçando-me com força para me consolar. Mas, claro, não tinha razão para isso – eu já tinha entendido tudo. Por que não acordava logo?
“Sinto muito, meu amor. Você sabe disso, certo? Sua mãe e você podem contar comigo e com Mufasa. Ele mesmo está encarregado de cuidar do seu patrimônio.”, oh, coitada! Ela era apenas mais uma figura confusa na minha funesta imaginação. Doía-me vê-la tão arrasada. Outra mão, bem mais pesada e maior, acariciou minha cabeça. Aquilo já era demais.
“Não é hora para pensarmos em coisas materiais, pequenina.”, meu coração pulsou comprimido no peito. Não era o ruivo alto, de porte atlético e de olhar pesaroso que me chamava assim. Outro pulso ainda mais dolorido. Que diabos, Nala! Acorde!
“Mufasa, rápido! Dandara desmaiou!”, o quê?! Onde ela estava? Mamãe! Ela precisava de mim – eu teria de olhá-la. NÃO! Algo me dizia, no fundo de minha mente, que eu não devia encará-la, que o vazio e o buraco apenas inflamariam. Mais que depressa, Mufasa foi ajudar minha mãe em meu lugar, graças à minha covardia, deixando-me com Sarabi.
“Mamãe...”, aquela outra voz familiar me arrepiou. O que aquele menino estava fazendo no meu sonho, afinal?! Eu nunca gostei dele; um metido, inconveniente, tagarela, mesquinho e peste. Em suma, Simba. Até o som de taquara rachada dele me irritava. Virei-me ameaçadora para ele, porque agora que eu sonhava, podia demonstrar minha sincera emoção em vê-lo: náuseas.
“Simba, vá lá para fora. Nala não quer brincar.”, Sarabi aconselhou e eu esperei que seu filho ouvisse, mas não foi o que aconteceu. Ele tocou meu rosto, fazendo beiço e imitou uma voz de bebê ao pronunciar:
“Oh, a Nala, você precisa se divertir? Eu estou aqui.”, metido! Insuportável! Não brinque assim com meus sentimentos, nem em sonho!
“Simba, não me faça chamar seu pai.”, cortou a mãe dele, soltando-me por completo e, assim, me libertando. Aquele abraço não estava adiantando, pois o vazio não me abandonava. Caminhei os passos restantes até Simba e mostrei-lhe a língua. Voltei aos quatro anos de idade, céus. Eu tinha quatorze anos, qual era o meu problema? Simba apenas deu aquele seu sorriso torto que me deixava desconsertada. SAIA DO MEU SONHO! SAI, SAI, SAI! Já era bastante ruim sem ter de lidar com a frustração de tê-lo por perto. E ele se dizia meu amigo.
“Ah, não seja tão mau-humorada. Só porque seu pai morreu...”, calou-se. Pelo menos, foi o que meus ouvidos fizeram – tudo emudeceu. Sem ruído, sem visão, sem olfato, sem paladar. Sem vida. Era o fim. Eu queria vir à superfície, chegar ao ápice do sonho sem mais delongas, acabar com o pânico melancólico. Por que minha mente estava sendo tão vil? A boca rosada e cheia de Sim continuava a se movimentar, mostrando os dentes e a saliva enquanto abria e fechava em cada sílaba não captada por meu cérebro – quem ligava? O que importava se o meu pai estivesse morto? O meu melhor amigo? Tudo bem, eu tinha Simba como meu segundo melhor amigo, mas e daí? Ele era completamente diferente de papai, sendo um esnobe, ridículo... Ora, quem eu queria enganar. Aquela revolta com meu melhor amigo – vivo, argh – não me levaria a lugar algum. Por que diabos eu não voltava em mim?
“Nala? Está me ouvindo?”, ele quis saber, me tocando o rosto novamente. Finalmente, após a introspecção, encarei seus olhos amendoados. Era ruivo como o pai, com traços finos de europeu, quase como eu. Engraçado como o sol africano não fez efeito quando nos mudamos para cá, aos nove anos. Lembro-me de como nossos pais logo ficaram amigos, juntando-nos nas ceias de natalinas. Meu pai.
“NALA?!”, que inferno, garoto! Não grite! Todos vão nos olhar assim. Se bem que, na verdade, já estavam me olhando há tempos, desde o começo desse pesadelo, desde o telefonema, desde o noticiário, desde... meu pai! Não agüentei. Era como se fosse real, sério. Como se eu apenas me enganasse sobre o sonho para amenizar a dor. Só que eu não podia estar fazendo isso, porque não aconteceu! Não podia ter acontecido! Como eu ficaria nisso tudo?! Senti o peso das lágrimas em meu rosto, aquecendo-o devido ao seu grande número. Eram rápidas, porém, não eficazes. A mão de Simba tentava, inutilmente, secá-las.
“Tudo bem, olha... vamos desbravar o território?”, ele me chamava de pequenina. O papai, quer dizer. Mufasa queria apenas me tranqüilizar, fingir que estava tudo sob controle. E não estava. Não mesmo. “Por favor, Nala. Eu preciso de você. Quem mais poderia aturar meu ego?”, ora, Simba. Ele se achava mesmo o dono do universo, o grande leão, o rei das selvas. Não passava de um bebê, assim como eu. Éramos despreparados e vulneráveis. Nem nossos pais, figuras imponentes, não deixavam de ser humanos. Mortais. Que outra escolha eu tinha?
“Okay, eu vou com você.”, aquela voz rouca e fria era a minha? Não parecia em nada. Ele tomou minha mão e caminhamos para fora do local do velório.
Havia tantos túmulos à nossa volta, cada qual mais monumental que o outro, afinal, era a ala ‘rica’ do cemitério. Pensei em como o mundo capitalista era estratificado até quando a dor era envolvida. Simba pegou um pedaço de árvore caído, partindo-o e entregando a mim a parte maior. Olhei para o meu galho e em seguida para ele.
“Por hoje, eu deixo você ser a exploradora principal.”, disse ao empinar o nariz e, depois, se curvar para que eu tomasse a dianteira. Revirei os olhos, caminhando na frente e cutucando com a madeira em todas as pequenas rochas, as folhas secas pelo calor e alguns bichos mortos. Ficamos sem nos falar por vários minutos, concentrados em espantar idéias incômodas. Aquela sensação de sonho persistia; me apegava a ela com todas as forças do meu espírito. Mais de uma vez, tentei principiar um assunto qualquer, entretanto, minha rouquidão e falta de genuína vontade, me impediam. Engraçado como ele respeitava o meu silêncio, e isso fez com que eu me virasse para trás diversas vezes, certificando-me de que permanecia ao meu lado.
“Esperem!” olhamo-nos, sem saber quem poderia estar nos chamando, e viramo-nos. Alto, negro e elegante, embora afobado de tanto correr. Zazul, o faz-tudo de Mufasa. Sempre o achei um grande homem, e não só por ter dois metros de altura – o que o tornava um tanto desengonçado –, mas pela bondade disfarçada pela ironia peculiar. O que ele mais gostava de fazer, ou era obrigado, era nos seguir por aí. Controlava-nos, ou assim tentava, porque sempre conseguíamos escapar. Certa vez, Simba e eu o convencemos a dar uma volta pela savana (quando visitamos o Norte) e, enquanto atormentávamos sua mente com musicas, atrevimentos e caretas pelas costas, nós o deixamos no meio dos animais – um rinoceronte, para ser mais exata – e corremos para perto de um lugar escuro.
“Dandara está te esperando para...”, deu um pigarro, “... enterrá-lo.”, minha respiração falhou. Espiei Simba por cima da minha explosão de lágrimas, incapaz de segurar a pergunta por muito mais tempo.
“Então... não é só mais um pesadelo?”, não sei o que aconteceu em seguida. Tudo não passou de um borrão.
Minha Nala, do grupo Disney de Real Role Playing Game.