nada do que eu digo ou escrevo é passível de fazer sentido.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Da sua amante

Em pensamento transmitir-lhe-ei meu sentimento
Já que de nada usurfruo para falar-lhe
E disso, lágrimas derradeiras derramei
Mas desse rio pesaroso não tratarei

Talvez o mero lembrar de tuas feições,
Há tantas guardadas, jamais ao vivo - sinto,
Possa em mim despertar o que estava dormindo
A esperança da reescrita em linhas vivas

De forma a prolongar a prosa rara,
Afinal, amar à distância não me cansa,
Em teus cabelos longos, castanhos como a íris
Perder-me-ia a cheirar, tamanha a necessidade de te guardar

As mãos, grandes e ásperas - presumo,
Dos dedos fortes o bastante para tocar o acorde,
Deixar-te-ia repousar em meu ombro
Acalentando-me da frieza da tua ausência.

De todo, enfim, não penses que és apenas imagem,
Embora aos meus olhos e coração somente isso tenho,
O meu ser, no teu, é mais que imaginar,
É um esperar incessante, latejante,

Da sua amante

sexta-feira, 27 de março de 2009

Independência mexicana

Avenida tal, horário a se pensar, México.


Não entendo, sinceramente. Durante toda a minha infância – não muito distante se você for pensar, afinal tenho meros quinze anos -, costumava observar as frustrações de papai sobre a escrivaninha de mogno, disposta junto de dez cadeiras acolchoadas na biblioteca, onde ele se reunia com os amigos fazendeiros. Atualmente, nenhum desses amigos nos visita mais; estão jogados nas calçadas, bêbados ou, quem sabe, pedindo uma ajuda de custo. E isso porque representavam a grande maioria conservadora.
Pelo que eu me lembre, a família Del Afonsiera possuía vastos hectares de plantação de milho mais ao norte. Entretanto, sua plantation perdeu o prestígio por causa da guerra civil – cuja não presenciei seu início. Quando nasci, o México já estava livre dos espanhóis –.
Essa guerra, entre conservadores monocultores e liberais, provocou a falência de muitos parentes meus, além dos ataques estrangeiros que insistiam em tentar ocupar nossas terras, implantando seu mercado e cultura. Para você ter uma idéia, diário, meu tio Alberto fora forçado a vender suas plantações de feijão para os norte-americanos para conseguir sanar dívidas bancárias. E, que eu saiba, o banco estava em situação precária, já que não se tinha tanto investimento como no passado.
Obviamente, papai culpa os ‘baderneiros’ pelo problema social instalado no país, assim como a instabilidade econômica. Na Igreja, que sempre freqüentamos, ele chegou a amaldiçoar alguns deles que se postavam à porta, com cartazes pedindo o afastamento do governo conservador repressor, alegando que voltaríamos aos tempos de colonização, cujos ricos eram minoria crioulla. Até parece que eles fariam algo diferente. Três Poderes; Legislativo, Executivo e Judiciário? A monarquia que papai prega, pelo menos, garante a ordem nessa sociedade rebelde, pois é um governo coeso, forte, impenetrável, capaz de impor respeito e autoridade. Bem, isso segundo o discurso infindável que papai dá, nessa praça precária.
Hm... estou vendo um rebuliço logo á frente; algumas pessoas com faixas negras, berrando alguma coisa ininteligível... estão vindo para cá... será...?

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Casa qualquer, horário improvável, México.


Era de se esperar que eu não voltasse a pegar neste caderno velho, de capa negra aveludada. Mas, quando o vi jogado em meio aos meus pertences juvenis, não pude resistir tocá-lo. Continua incompleto, desde a morte de papai, naquele fatídico encontro entre conservadores e liberais em praça pública. Eu devia ter me acostumado às brigas, aos tumultos, porém, vê-lo apedrejado e agir com naturalidade, já era pedir demais de uma mera adolescente de quinze anos.
Bem, de qualquer forma, os conflitos diretos e indiretos continuam, passados vinte anos. Ou seja, vejo essa batalha durante trinta e cinco anos seguidos. Uma vida inteira, sendo que a perdi depois da morte do papai. Mamãe adoeceu e ninguém em nossa família tinha dinheiro suficiente para tratá-la, então ela morreu, deixando-me com Juan, Carmen e Pedro, todos mais novos e despreparados para a vida de miséria – nossa fazenda estava com certos problemas financeiros. A morte dos meus pais foi o ápice da nossa queda -. Mas, tudo bem, sobrevivemos.
Ainda nessa semana, quando me mudei para o sul do país, vislumbrei ataques anticlericalistas; alguns cidadãos atacando, roubando, uma Igreja. Rebeldes, sem sombra de dúvida. Ligados ao Estado Liberal positivista que ameaça reger o meu México. Não sei o que papai diria sobre essa situação precária.
Bom, tenho de me recolher. Meu marido chegou.

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Qualquer canto de uma casa antiga, horário incerto, México.


Não acredito que encontrei isso no meio dos pertences de minha falecida avó. Ela era tão nova quando começou a escrever aqui, e retomou – durante algum tempo – seu trabalho depois de tantos anos sofridos de lutas. Acredito que se passaram cinqüenta anos de guerras civis, presenciadas por ela. Pelo menos em seus últimos meses de vida, viu o novo México, de educação laica – completamente desligada da Igreja – e poderes centrados em um estado liberalista, influenciado por estrangeiros. A vitória dos liberais. Não que eu seja contra, afinal, aderi muitos idéias deles, principalmente a descentralização do poder que era desigual – não que as condições de vida tenham mudado bruscamente de maneira igualitária -. De qualquer modo, a instabilidade política já não causa disputas sanguinárias.
Fui ontem à missa matinal e quase desmaiei ao ver que nela haviam caixas empilhadas. Dizem que se transformará em uma biblioteca pública, o que é aceitável, vendo o nível escolar dessa população sobrevivente dos tempos de precariedade. Embora seja uma afronta ao poder da Igreja, antes tão privilegiada. Fiquei abismada com a audácia dos governantes, sendo que alguns conservadores ainda espreitam por aí, procurando se estabelecer no poder, mesmo que seja difícil. A população consente com os liberais em muitos aspectos. Não que o nível de pobreza tenha abaixado, é a estabilidade que este novo governo passa. Pelo menos não temos ninguém sendo apedrejado por falar em praças, como meu bisavô.
Cinqüenta anos, um longo período. Ainda bem que acabou.

RPG, o jogo

Perfeito para aqueles que amam o teatro e a capacidade de imaginar-se em cena


O Role-playing game (famoso RPG, traduzido como "jogo de interpretação") é um tipo de jogo em que os jogadores assumem os papeis de personagens e criam narrativas envolventes e paralelas ao nosso mundo, ou até dele próprio, mas com uma vista mais imaginária. O progresso desse se dá de acordo com um sistema de regras predeterminado, dentro das quais os jogadores podem improvisar livremente. As escolhas dos jogadores determinam a direção que o jogo irá tomar, assim, cada participante tem o direito de mover, fazer a ação de seu personagem e alterar a ação de um outro integrante.
Os RPGs são costumam ser mais
sociais do que competitivos, ao contrário do que pensam algumas pessoas que não gostam do jogo, pois une seus paticipantes em um único time, ou vários, para que se crie uma aventura para o grupo de 4 até 6 integrantes. Além dessa integração, raramente tem ganhadores ou perdedores, o que colabora a evitar brigas; isso o torna diferente de outros jogos de tabuleiro, de cartas, esportes, ou qualquer outro tipo de jogo. Como romances ou filmes, RPGs agradam porque eles alimentam a imaginação, sem limitar o comportamento do jogador a um enredo específico.
Este é um jogo pouco convencional, similar a um
teatro; os atores (jogadores) recebem seu "script", o conjunto de suas ações, gestos e falas, com tudo o que suas personagens devem saber e são. Você interpreta uma personagem de ficção, seguindo o enredo definido em um roteiro, como falado acima. É também um jogo de estratégia, por outro lado, pois você está seguindo um conjunto de regras onde, para vencer, você precisa vencer desafios impostos por seus adversários (cada partida é única, já que é impossível prever seus movimentos durante o jogo).
Existem dois tipos básicos de jogadores muito bem definidos: O primeiro tipo é o jogador personagem, normalmente chamado apenas de "jogador", PC (Player Character, também conhecido como ‘char’) ou PJ (Personagem do Jogador). Esse jogador é aquele quem cria um
personagem fictício seguindo as regras do sistema escolhido por seu grupo, e controlará esse mesmo personagem pelas aventuras do jogo (em alguns casos, jogadores podem controlar mais de um personagem simultaneamente, embora seja incomum).
O segundo tipo de jogador é o narrador,
mestre ou GM (Game Master). Será ele quem criará a história e julgará as ações de todos os personagens do jogo. O narrador normalmente não possui um personagem próprio, mas controla todos os personagens não-jogadores da aventura (os que seriam os coadjuvantes da peça). Enquanto o jogador tem uma relação próxima com um ator de teatro, o narrador seria o diretor, quem define o cenário, figurantes, ambiente. Por isso, é aquele que deve conhecer as regras mais profundamente, e ser o mais experiente do grupo, normalmente seguindo um sistema de regras pré-determinado que o ajudará com os eventuais problemas e dúvidas que venham a surgir. Apesar do narrador seguir as regras de um sistema, ele pode quebrá-las, ignorá-las ou mudá-las em prol do andamento da partida, baseando-se para isso no seu bom senso.
Assim, por possuir várias facetas, regras e liberdade, o RPG deixou de ser exclusivamente um jogo de tabuleiro, passando para o mundo virtual que possibilita, juntamente da imaginação do player (jogador), maior aproveitamento do enredo jogado. Há nota de vários sites, templates, comunidades do orkut e, até mesmo, perfis de orkut que caracterizam jogos e as personagens. No caso dos sites próprios para os jogos, e comunidades criadas por grupos de amigos, há uma regra que prevalece para todos os integrantes; ou seja, há um mestre. Já os perfis têm a regra feita pelo jogador que, para melhor interação entre os chars e os próprios players, devem ser seguidas, bem como a história criada para a personagem. Logo, o RPG torna-se um dos mais conhecidos, mesmo que incomum, e querido (nem tanto por alguns) por jogadores de todo o mundo.