Andei lendo muito ultimamente, absorta nas diversas realidades que me arrancavam da frieza social que assola qualquer país capitalista no mundo pós-moderno. Não só livros de Geografia, História, Português, Biologia, Filosofia e Sociologia (fundamentais para todo o desenvolvimento de meu caráter e diversão), mas também clássicos literários como A Divina Comédia, Hamlet, Drácula e Inocência, além de o décimo livro da coleção O Diário da Princesa, O Monstro, Ensaio sobre a cegueira e (de volta as raízes) O Diário de Anne Frank. De todos, os que mais compreenderam todo o meu desespero e, por este motivo, incentivaram a escrita desta nota cafona, foram os dois últimos.
Ensaio, de início, pareceu-me tedioso por não apresentar quaisquer dados (cidade, país, data, nomes, idades etc) significantes para meu cérebro guardar como acontecia com outras histórias. Então, a desumanização das personagens e os diversos símbolos sutis tomaram-me. Foi tão real quanto um corte, tão letal quanto a ambição, tão próprio quanto os sentimentos que me acometeram. Culpa, desilusão... não, são coisas triviais – logo passam quando se compra o último mangá de D. Gray-man. Talvez revolta, mas isso também é fugaz porque ligamos a televisão e nos deparamos com os novos investimentos da bolsa de valores ou porque o gato do vizinho morreu ou porque engordou cinco miligramas ou porque tem mais o que fazer do que ficar pensando sobre um livro de cenas fortes e enredo complexo. E, por essas diversas explicações inúteis, na última página, desejei que nenhum tivesse voltado a ver ou que, de fato, a brancura acontecesse.
Céus, são tantas as desculpas de nossas mentes ocas! A maioria esmagadora massacrada por uma ideologia que, de tão bem imposta ou simplória ou persistente ou o que for, passa a ser a única verdade. Não digo isso como se este desabafo fosse um daqueles discursos comunistas (se é que algum dia eu vou poder me comparar aos intelectuais), recheados de consumismo. Falo por experiência de uma adolescente de dezoito anos que, a cada vez que sonha em ser uma revolucionária, continua sob a proteção familiar e suas frases desanimadoras (apesar de verídicas até certo ponto), como “como você espera ajudar alguém sem ter o que comer?” ou “vai viver de quê? De brisa? De idéias?” ou ainda “já implantaram o socialismo, não deu certo. Agora vê se cresce e vai arrumar seu quarto.” Percebe quantas frases ditas soam capitalistas e, de certa forma, deixam-nos coagidos a seguirem-nas? Diga-me, isso lá é correto? CADÊ A PORCARIA DA CEGUEIRA NESSAS HORAS?! CADÊ A ANTIGA MORAL DO FIM DOS ANOS 60 E OS 70?! CADÊ A FLOR? Porque eu só vejo o canhão camuflado e os guerreiros entorpecidos pelo “amanhã próspero”.
Quanto a Anne Frank, não tenho tanto clichê a dizer. Vi o filme hoje (reprise de quinta-feira) e reli os trechos que mais simpatizei, para não demonstrar tanto sentimentalismo (e não engloba apenas os românticos, diga-se de passagem). Os últimos relatos (e imagens, se for contar o filme de 1959) dela, em especial do dia 1º de agosto de 1944 (três dias antes de ser descoberta no Anexo Secreto), pois denota esperança, a qual não costumava abandoná-la, e normalidade, como o embate da Anne alegre e a Anne profunda que os jovens (como eu) têm. Ou seja, apesar de toda a miséria, privação, perseguição e outros substantivos utilizados como adjetivos para o Holocausto, ela mostra a versatilidade humana, a transformação. Em situações extremas.
Oh, pareço uma jornalista sensacionalista, banalizando todos os feitos corriqueiros de um povo exaurido. Mas a questão é esta; estamos sempre fazendo coisas pequenas que, gradativamente, tornam-se maiores, ou movimentos sociais sem uma base teórica bem definida (não que seja culpa nossa, na verdade). De qualquer forma, foi apenas um desabafo de uma pré-vestibulanda às vésperas do seu primeiro ENEM (interprete como quiser).
“Auf wiederhören.”
Ensaio, de início, pareceu-me tedioso por não apresentar quaisquer dados (cidade, país, data, nomes, idades etc) significantes para meu cérebro guardar como acontecia com outras histórias. Então, a desumanização das personagens e os diversos símbolos sutis tomaram-me. Foi tão real quanto um corte, tão letal quanto a ambição, tão próprio quanto os sentimentos que me acometeram. Culpa, desilusão... não, são coisas triviais – logo passam quando se compra o último mangá de D. Gray-man. Talvez revolta, mas isso também é fugaz porque ligamos a televisão e nos deparamos com os novos investimentos da bolsa de valores ou porque o gato do vizinho morreu ou porque engordou cinco miligramas ou porque tem mais o que fazer do que ficar pensando sobre um livro de cenas fortes e enredo complexo. E, por essas diversas explicações inúteis, na última página, desejei que nenhum tivesse voltado a ver ou que, de fato, a brancura acontecesse.
Céus, são tantas as desculpas de nossas mentes ocas! A maioria esmagadora massacrada por uma ideologia que, de tão bem imposta ou simplória ou persistente ou o que for, passa a ser a única verdade. Não digo isso como se este desabafo fosse um daqueles discursos comunistas (se é que algum dia eu vou poder me comparar aos intelectuais), recheados de consumismo. Falo por experiência de uma adolescente de dezoito anos que, a cada vez que sonha em ser uma revolucionária, continua sob a proteção familiar e suas frases desanimadoras (apesar de verídicas até certo ponto), como “como você espera ajudar alguém sem ter o que comer?” ou “vai viver de quê? De brisa? De idéias?” ou ainda “já implantaram o socialismo, não deu certo. Agora vê se cresce e vai arrumar seu quarto.” Percebe quantas frases ditas soam capitalistas e, de certa forma, deixam-nos coagidos a seguirem-nas? Diga-me, isso lá é correto? CADÊ A PORCARIA DA CEGUEIRA NESSAS HORAS?! CADÊ A ANTIGA MORAL DO FIM DOS ANOS 60 E OS 70?! CADÊ A FLOR? Porque eu só vejo o canhão camuflado e os guerreiros entorpecidos pelo “amanhã próspero”.
Quanto a Anne Frank, não tenho tanto clichê a dizer. Vi o filme hoje (reprise de quinta-feira) e reli os trechos que mais simpatizei, para não demonstrar tanto sentimentalismo (e não engloba apenas os românticos, diga-se de passagem). Os últimos relatos (e imagens, se for contar o filme de 1959) dela, em especial do dia 1º de agosto de 1944 (três dias antes de ser descoberta no Anexo Secreto), pois denota esperança, a qual não costumava abandoná-la, e normalidade, como o embate da Anne alegre e a Anne profunda que os jovens (como eu) têm. Ou seja, apesar de toda a miséria, privação, perseguição e outros substantivos utilizados como adjetivos para o Holocausto, ela mostra a versatilidade humana, a transformação. Em situações extremas.
Oh, pareço uma jornalista sensacionalista, banalizando todos os feitos corriqueiros de um povo exaurido. Mas a questão é esta; estamos sempre fazendo coisas pequenas que, gradativamente, tornam-se maiores, ou movimentos sociais sem uma base teórica bem definida (não que seja culpa nossa, na verdade). De qualquer forma, foi apenas um desabafo de uma pré-vestibulanda às vésperas do seu primeiro ENEM (interprete como quiser).
“Auf wiederhören.”
