nada do que eu digo ou escrevo é passível de fazer sentido.

sábado, 26 de setembro de 2009

Whatever, man

Andei lendo muito ultimamente, absorta nas diversas realidades que me arrancavam da frieza social que assola qualquer país capitalista no mundo pós-moderno. Não só livros de Geografia, História, Português, Biologia, Filosofia e Sociologia (fundamentais para todo o desenvolvimento de meu caráter e diversão), mas também clássicos literários como A Divina Comédia, Hamlet, Drácula e Inocência, além de o décimo livro da coleção O Diário da Princesa, O Monstro, Ensaio sobre a cegueira e (de volta as raízes) O Diário de Anne Frank. De todos, os que mais compreenderam todo o meu desespero e, por este motivo, incentivaram a escrita desta nota cafona, foram os dois últimos.
Ensaio, de início, pareceu-me tedioso por não apresentar quaisquer dados (cidade, país, data, nomes, idades etc) significantes para meu cérebro guardar como acontecia com outras histórias. Então, a desumanização das personagens e os diversos símbolos sutis tomaram-me. Foi tão real quanto um corte, tão letal quanto a ambição, tão próprio quanto os sentimentos que me acometeram. Culpa, desilusão... não, são coisas triviais – logo passam quando se compra o último mangá de D. Gray-man. Talvez revolta, mas isso também é fugaz porque ligamos a televisão e nos deparamos com os novos investimentos da bolsa de valores ou porque o gato do vizinho morreu ou porque engordou cinco miligramas ou porque tem mais o que fazer do que ficar pensando sobre um livro de cenas fortes e enredo complexo. E, por essas diversas explicações inúteis, na última página, desejei que nenhum tivesse voltado a ver ou que, de fato, a brancura acontecesse.
Céus, são tantas as desculpas de nossas mentes ocas! A maioria esmagadora massacrada por uma ideologia que, de tão bem imposta ou simplória ou persistente ou o que for, passa a ser a única verdade. Não digo isso como se este desabafo fosse um daqueles discursos comunistas (se é que algum dia eu vou poder me comparar aos intelectuais), recheados de consumismo. Falo por experiência de uma adolescente de dezoito anos que, a cada vez que sonha em ser uma revolucionária, continua sob a proteção familiar e suas frases desanimadoras (apesar de verídicas até certo ponto), como “como você espera ajudar alguém sem ter o que comer?” ou “vai viver de quê? De brisa? De idéias?” ou ainda “já implantaram o socialismo, não deu certo. Agora vê se cresce e vai arrumar seu quarto.” Percebe quantas frases ditas soam capitalistas e, de certa forma, deixam-nos coagidos a seguirem-nas? Diga-me, isso lá é correto? CADÊ A PORCARIA DA CEGUEIRA NESSAS HORAS?! CADÊ A ANTIGA MORAL DO FIM DOS ANOS 60 E OS 70?! CADÊ A FLOR? Porque eu só vejo o canhão camuflado e os guerreiros entorpecidos pelo “amanhã próspero”.
Quanto a Anne Frank, não tenho tanto clichê a dizer. Vi o filme hoje (reprise de quinta-feira) e reli os trechos que mais simpatizei, para não demonstrar tanto sentimentalismo (e não engloba apenas os românticos, diga-se de passagem). Os últimos relatos (e imagens, se for contar o filme de 1959) dela, em especial do dia 1º de agosto de 1944 (três dias antes de ser descoberta no Anexo Secreto), pois denota esperança, a qual não costumava abandoná-la, e normalidade, como o embate da Anne alegre e a Anne profunda que os jovens (como eu) têm. Ou seja, apesar de toda a miséria, privação, perseguição e outros substantivos utilizados como adjetivos para o Holocausto, ela mostra a versatilidade humana, a transformação. Em situações extremas.
Oh, pareço uma jornalista sensacionalista, banalizando todos os feitos corriqueiros de um povo exaurido. Mas a questão é esta; estamos sempre fazendo coisas pequenas que, gradativamente, tornam-se maiores, ou movimentos sociais sem uma base teórica bem definida (não que seja culpa nossa, na verdade). De qualquer forma, foi apenas um desabafo de uma pré-vestibulanda às vésperas do seu primeiro ENEM (interprete como quiser).
“Auf wiederhören.”